aula 5 psicologia sócio-histórica

aula 5 psicologia sócio-histórica

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA INSTITUTO DE PSCOLOGIA IPSA01-Psicologia I

História das ideias (Sampson, 1988):

  • Medieval: concepção que define o homem como resultado das instituições sociais (castas).

  • Iluminista: homem como instituinte, cidadão e indivíduo.

    • O homem cotidiano, com seus momentos irregulares, contraditórios e irreversíveis, é expulso e cede lugar a um construto individualista, impessoal, determinado e universal, para quem noções como ação, construção, história, intercâmbio social e cultura são comumente aparências irrelevantes” (Neubern, 2005, p. 59).
  • Marxista: homem dependente social e economicamente das relações de produção.

  • Pós-moderna: interdependência entre indivíduos e comunidade.

História das ideias:

  • Locke: nada há na mente que não tenha passado pelos sentidos (empirismo).

  • Leibniz: “...nada, com exceção do intelecto” (racionalismo).

  • Touraine:

    • Sujeito-agente: indivíduo/grupo através do qual se manifesta a lógica do sistema. O pensamento segue a ação (reativo).
    • Sujeito-ator: indivíduo/grupo que modifica o desenvolvimento social. O pensamento comanda a ação (ativo).

História das ideias:

  • Hobbes: disposições psicológicas produzem as instituições sociais.

  • Rouseau: condições sociais determinam o comportamento individual.

Interacionismo Simbólico

  • A concepção da pessoa como agente de seus próprios atos. Interação social é produto da interpretação que a pessoa faz de seu meio, e não da atuação de fatores externos (Álvaro e Garrido, 2003).

  • Distancia-se do conceito de conduta e seu caráter reativo, e aproxima-se do conceito de ação enfatizando o caráter reflexivo e interacional.

  • O ser humano orienta seus atos em direção às coisas em função do que estas significam para ele;

  • Esses significados surgem como consequência da interação social;

  • Eles se modificam mediante um processo interpretativo desenvolvido pela pessoa no encontro com as coisas.

Interacionismo simbólico:

  • Podemos nos referir ao mito como produto de um conjunto de identidades possíveis para a personalidade individual (...). A comunidade mitologicamente instruída mune os seus membros de uma biblioteca de argumentos a partir dos quais o indivíduo pode ajuizar o jogo de suas múltiplas identidades” (Jerome Bruner, 1962, p.36)

A História de Severino e a História de Severina João Cabral de Melo Neto

EVOLUÇÃO

Fenômeno psicológico

  • O que tem levado o homem a ser o que é hoje?

  • De onde surgem as capacidades humanas, da natureza ou da história?

  • Objeto da psicologia: experiência pessoal dos indivíduos

    • Visão psicanalítica: conflito existencial entre vida e morte
    • Visão behaviorista: interação mecanicista entre indivíduos e mundo
    • Visão Sócio-histórica: Conquista humana a partir de sua atividade e sua intervenção transformado sobre o mundo.
    • experiência das pessoas se constitui no coletivo e na cultura

Fenômeno psicológico

  • Cada pessoa contém as experiências de nossos antepassados humanos.

  • Estrutura psíquica: conteúdos psíquicos foram construídos ao longo dos milhões de anos de desenvolvimento da humanidade.

    • Pensar a mente humana como um processo desenvolvido ao longo do tempo histórico
  • O mundo psíquico que temos hoje não foi e nem será sempre assim, pois está ligado às formas de vida das sociedades modernas.

    • Trabalho: atividade instrumental de transformação do mundo para obter sobrevivência. A descoberta da ferramenta como instrumento de ação do homem no mundo é acompanhada pelas mudanças nas capacidades humanas (linguagem como ferramenta).

Fenômeno psicológico

  • Ferramenta permitiu ir além do imediatismo e criar o tempo, conquistando a capacidade de planejamento.

  • Subjetivação: como pensamos, sentimos, desejamos e damos significado às experiências que vivemos?

  • Tempo e espaço: o mundo psicológico nunca foi o mesmo. O que sabemos hoje não servirá para entender os futuros seres humanos, nem para entender os seres humanos orientais ou indígenas, que têm um mundo psicológico diferente.

  • A psicologia que temos hoje serve para compreender qualquer ser humano?

A importância da cultura

  • Para os sócio-históricos, não existe uma essência abstrata, universal e eterna do ser humano.

  • Natureza humana: capacidade (pronta) que nasce e se desenvolve conosco

  • Condição humana: construímos nossas formas de satisfação de necessidade com outros seres humanos, coletivamente.

    • Invenção da mamadeira, da pílula anticoncepcional abriram novas possibilidades para a mulher no mundo, inclusive o movimento feminista.
  • Condição humana não é natureza humana, é a possibilidade de os humanos criarem a si próprios, libertando-se dos limites impostos pelas biologia de seus corpos.

A importância da cultura

  • Nossas conquistas estão expressas nos objetos e nas ideias que construímos ao longo do tempo histórico em que nos desenvolvemos

  • A cultura é a humanização do mundo

  • Cultura: carrega possibilidades psíquicas, de subjetividade, que vamos construindo em nós

    • Cada um se tornará igual nas capacidades, mas diferente porque construirá diferentemente sua experiência e com pessoas diferentes
    • Nosso mundo interior é formado por imagens, sensações, que tomam forma pela linguagem.
    • Quando aprendemos uma língua, estamos aprendendo a pensar e a sentir a partir de uma cultura.

Subjetividade

  • Ao conhecer o ritual de um grupo social, podemos conhecer a forma de pensar de seus membros

  • Ao conhecer as ideias de uma pessoa, podemos conhecer sua sociedade e suas formas de vida

  • Subjetividade:

Um macroconceito que integra os complexos processos e formas de organização psíquicos envolvidos na produção de sentidos subjetivos. A subjetividade se produz sobre sistemas simbólicos e emoções que expressam de forma diferenciada o encontro de histórias singulares de instâncias sociais e sujeitos individuais, com contextos sociais e culturais multidimensionais” Gonzaléz-Rey, 2004, p. 137.

Subjetividade

  • Subjetividade individual: representa a constituição da história de relações sociais do sujeito concreto dentro de um sistema individual.

    • A cultura dá sentido à experiências do sujeito.
  • Subjetividade social: a aresta subjetiva da constituição da sociedade:

    • sistema integral de configurações subjetivas (grupais ou individuais, que se articulam nos distintos níveis da vida social...” Gonzaléz-Rey, 1997
  • Quando nos tornamos humanos (socialmente) nos apropriamos de todos os significados sociais, ao mesmo tempo em que também atribuímos significados, um sentido pessoal. Isso permite o desenvolvimento da consciência.

LEV VYGOTSKY

Noções básicas

  • Condição humana: ser humano é ativo, social e histórico

  • As necessidades humanas básicas não são apenas biológicas; ao surgirem, são socializadas

    • Hábitos alimentares e comportamento sexual são formas sociais e não naturais de satisfazer necessidades biológicas.
  • Trabalho: é um processo de transformação constante das necessidades e da atividade dos homens e das relações que estabelecem entre si para a produção de sua subsistência.

    • Quando produz os bens necessários à satisfação de suas necessidades, o ser humano estabelece novos parâmetros na sua relação com a natureza, o que gera novas necessidades, que deverão ser satisfeitas também.

Noções básicas

  • Psicologia: o indivíduo jamais poderá ser compreendido fora de suas relações e seus vínculos sociais e de sua inserção em determinada sociedade, num momento histórico específico.

  • Contradição: para compreender o movimento contraditório da totalidade na qual se encontram os indivíduos, deve-se partir do geral para o particular (relação entre atividade e consciência)

    • Materialismo histórico e dialético: perceber o singular e seu movimento como parte do movimento geral, e ao revelar essas mediações compreender não só o geral, mas o particular

Categorias de análise

  • Atividade: categoria do psiquismo que permite conhecer como os sujeitos se inserem no mundo, que relações estabelecem e como produzem sua sobrevivência, comportam-se e atuam.

  • Consciência: considerada um reflexo ativamente modificado da realidade objetiva vivida pelos sujeitos. Desenvolve-se no cérebro mas não se resume à atividade cognitiva.

    • Registro das vivências (razão, emoção e, ação).
  • Identidade: organização que o sujeito faz sobre si mesmo. Reúne na consciência ações, projetos, relações, noções e julgamentos sobre si, e permite ao sujeito sentir-se único, reconhecer-se.

Categorias de análise

    • Identidade: nas atividades e nas relações, o indivíduo vai se apresentando (personagem) e se modificando (Ciampa, 1987)
    • Metamorfose: as variadas vivências que temos, momentos e pessoas que nos cercam e conosco se relacionam, além das várias atividades que desenvolvemos, tornam nossa identidade algo múltiplo.
  • Linguagem: “instrumento fundamental nesse processo de mediação das relações sociais, no qual o homem se individualiza, se humaniza, aprende e materializa o mundo das significações que é construído no processo social e histórico” Aguiar

Categorias de análise

Relações sociais: importante veículo de transporte do campo objetivo para o subjetivo e vice-versa. Ex. ex. “negão”, “viado”

    • O sentido de uma palavra é a soma de todos os fatos psicológicos que ela desperta em nossa consciência. Assim, o sentido é sempre uma formação dinâmica, fluida, complexa, que tem várias zonas de estabilidade variada. O significado é apenas uma dessas zonas do sentido que a palavra adquire no contexto de algum discurso e, ademais, uma zona mais estável, uniforme e exata. Como se sabe, em contextos diferentes a palavra muda facilmente de sentido. O significado, ao contrário, é um ponto imóvel, imutável que permanece estável em todas as mudanças de sentido da palavra em diferentes contextos...” Vygotsky, 2008

Categorias de análise

  • Sentido: articula de forma específica o mundo psicológico historicamente configurado do sujeito com a experiência de um evento atual.

    • A categoria de sentido favorece uma representação da subjetividade que permite entender a psique não como uma resposta, nem como um reflexo do objetivo, e sim como uma produção de um sujeito que se organiza unicamente em suas condições de vida social, mas que não é um efeito linear dessas condições. Os processos de produção de sentido expressam a capacidade da psique humana para produzir expressões singulares em situações aparentemente semelhantes” Gonzaléz-Rey, 2004

Aplicação da Psicologia Sócio-Histórica

  • Em qualquer lugar onde atue, o psicólogo pode trabalhar a partir da vida de cada um, de um grupo ou de uma instituição, relacionando atividades, identidades, vínculos, significados e sentidos.

  • Políticas públicas: a maior parte das construções políticas da vida pública desconsidera a presença de sujeitos que são vistos e concebidos como meros usuários

    • Avisos em linguagem escrita desconsideram a grande quantidade de analfabetos
    • Consideram desnecessário embelezar os locais de prestação de serviço público (ao contrário dos particulares)
    • Profissionais devem manter o compromisso social com a sociedade em que se insere e para a qual produz

Filmes:

  • A guerra do fogo: Jean-Jacques Arnnaud, 1981 – descoberta do fogo leva a mudanças dos modos de ser e de comportar dos seres humanos.

  • 2001-uma odisseia no espaço: Stanley Kubrick, 1968 – trajetória do homem de 4 milhões de anos aC. até 2001, abordando a evolução da espécie e a influência da tecnologia nesse crescimento. Descoberta dessa ferramenta leva à transformação do “macaco” em homem.

  • O enigma de Kasper Hauser: Werner Herzog, 1974 – jovem ficou preso a vida inteira e não sabe falar ou andar. A comunidade o ajudam a adquirir a linguagem.

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