Memorial descritivo

Memorial descritivo

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Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix

Curso de Arquitetura e Urbanismo

Trabalho Final de Graduação

Tema: Revitalização de Antigo Casarão

Proposta: Memorial Vale / Itabira

Aluna: Jaqueline Mendonça da Silva Orientador: Lizandro Franco

Memorial Descritivo MEMORIAL VALE

O projeto consiste em revitalizar o sobrado onde funcionou o primeiro hospital público da cidade de Itabira transformando-o em um espaço de divulgação da memória da Vale e da importância da mineração para o desenvolvimento da cidade.

Maior construção em estilo colonial de Itabira, esse amplo casarão do início do século XIX, desocupado a mais de dez anos, se encontra em péssimo estado de conservação. O esquecimento e abandono desencadearam de forma acelerada a sua degradação, além do que no contexto maior, enquanto bem tombado e de grande valor cultural, se encontra desarticulado do complexo histórico da cidade.

Paralelo a situação atual da edificação, a Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, nascida na cidade, não possui espaço físico que retrate toda a construção dessa história e a relação com a cidade berço.

A edificação é remanescente de um período importante na história da cidade. Além de abrigar o primeiro hospital público teve vários outros usos ao longo dos últimos anos.

Pretende-se criar um novo eixo de ligação com os prédios históricos existentes, fortalecendo a rota cultural existente ao posso que se reforça a importância do casarão no entorno e no circuito cultural, de forma que este possa abarcar incentivos que sejam importantes para a sua manutenção.

Quanto ao Memorial Vale a idéia é resgatar a história do nascimento da mineradora e a relação com a cidade de Itabira. Apresentar aos itabiranos as transformações culturais, sociais e econômicas que se desdobraram no município ao longo desses sessenta e nove anos, fruto das atividades extrativas, e formar parcerias com as entidades estudantis em projetos de educação ambiental e patrimonial.

Além de reaviar o passado, o programa quer investir no futuro capacitando jovens através destes projetos, formando cidadãos cada vez mais conscientes de seu papel frente às mudanças constantes e aproximando-os de seu vasto patrimônio histórico e cultural.

O Memorial Vale é um projeto institucional de direito público e de iniciativa da Vale em parceria com a Prefeitura Municipal de Itabira, instituído com o objetivo de facilitar o acesso dos moradores de Itabira a arte, história e cultura, inserir o bem na rota turística do Museu de Território dos Caminhos Drummondianos, identificar, orientar e apoiar novos artistas regionais, inclusive com a concessão de espaços para exposição. A edificação é tombada pelo patrimônio histórico e artístico da cidade é de propriedade da Prefeitura e após revitalização será administrado pela Fundação Vale.

Público alvo:

Perfil: o Projeto de Educação Patrimonial e Ambiental: Crianças, adolescentes e jovens da região. o Memorial Vale: público em geral.

Faixa Etária: o Projeto de Educação Patrimonial e Ambiental: 7 a 24 anos. o Memorial Vale: qualquer faixa etária.

Escolaridade: o Projeto de Educação Patrimonial e Ambiental: Ensino

Fundamental ao Ensino Superior. o Memorial Vale: qualquer escolaridade. Sexo: Qualquer sexo.

Condição socioeconômica: Qualquer renda.

Atividades: Exposições itinerantes, exposições permanentes, projetos de educação patrimonial e ambiental.

Atividades específicas: Seminários, palestras, cursos, lançamentos de exemplares e consulta ao acervo técnico (centro de memória).

A edificação a ser revitalizada está localizada na cidade de Itabira, município de Minas Gerais.

Figura 01 – Localização da cidade no estado de Minas Gerais. Fonte: Arquivo pessoal (produção própria)

Figura 02 – Localização da cidade de Itabira e distritos. Fonte: Arquivo pessoal (produção própria)

Fundada em 1848 a cidade, terra natal do poeta Carlos Drummond de Andrade, é carinhosamente apelidada por seus habitantes de cidade da poesia. É conhecida também por cidade do ferro, já que a cidade foi palco da criação da Vale em 1942.

Figura 03 – Vista panorâmica da cidade e ao fundo a Mina Cauê. Fonte: http:// w.skyscrapercity.com. Acessado em 17/05/2010

A edificação está localizada no bairro Penha, região norte da cidade, remanescente das primeiras ocupações, com predominância de casarios antigos e estabelecimentos institucionais.

A edificação trata de um sobrado Tombado pelo município no dia 1/05/8 o edifício possui belas visadas como o Pico do Amor, Igreja do Rosário (1775), Casa do poeta Carlos Drummond de Andrade, entre outras. Em rua paralela à rua Tiradentes onde se encontram o Museu do Ferro, a Casa onde viveu Carlos Drummond de Andrade e da Catedral Nossa Senhora do Rosário, está na rota do Museu de Território dos Caminhos Drummondianos.

Figura 04 – Localização do bairro Penha na cidade de Itabira. Fonte: Arquivo pessoal (produção própria)

Figura 05 – O casarão e a relação com o centro histórico. Fonte: Arquivo pessoal (produção própria)

Figura 06 – O casarão e a relação com o entorno Fonte: Arquivo pessoal (produção própria)

Figura 07 – O casarão e a relação com o entorno imediato. Fonte: Arquivo pessoal (produção própria)

Figura 08 – Topografia do terreno. Fonte: Arquivo pessoal (produção própria)

O prédio pertenceu ao Major Paulo José de Souza, que o doou para sediar o Hospital Nossa Senhora das Dores, inaugurado em 15/04/1859, graças aos esforços do Monsenhor José Felicíssimo, de João Batista Drumond e da Irmandade de mesmo nome.

Quando o hospital foi transferido para o novo prédio, entre os anos 50 e 60 do século passado, o imóvel foi ocupado durante algum tempo por mendigos. Posteriormente, serviu de uma república da Cia. Vale do Rio Doce, para o Deptº Municipal de Educação e Cultura e a partir de setembro de 1982, para Centro Regional de Saúde, órgão da Secretaria do Estado da Saúde. Em 1985, passou por reforma.

Figura 09 – Casarão na década de 90. Fonte: http://www.itabira.mg.gov.br. Acesso em 17/05/2010.

Este amplo sobrado destaca-se por sua imponência na rua Major Paulo e pela ambientação privilegiada do ponto de vista da Rua Santana e circunvizinhança. Foi implantado no alinhamento com afastamentos laterais, em lote bem acidentado, o que provoca a existência de dois pavimentos nobres acrescidos de dois porões. Na fachada lateral direita, uma varanda mais recente serve de acesso principal.

De partido retangular, sua volumetria dá a medida de sua imponência. A sua verticalidade é acentuada pela existência de quatro pisos, alto pés-direitos, janelas compridas e pelo alto ponto do telhado. Construído em estrutura autônoma de madeira com vedações em alvenaria de adobe mesclado de alvenaria de tijolos cozidos, recebe cobertura em quatro águas arrematada com galbo do contrafeito, telhas do tipo capa de bica com calhas horizontais e verticais e cimalha em madeira.

A fachada principal, enquadrada por cimalha e cunhais em madeira trabalhados em frisos e capitéis, recebe sete janelas no segundo piso, correspondendo a sete do primeiro pavimento. Os vãos colocados segundo uma ordenação rítmica, mostram enquadramento em madeira, verga em arco abatido, guilhotinas internas e folhas em venezianas externas.

Internamente apresenta escada entalada em madeira, mezanino central, piso em tabuado e forro de madeira em friso. O mezanino (antigo jardim de inverno) é estruturado com pilares em madeira, guarda-corpo em treliça de madeira e cobertura em telha translúcida.

Após passar por diversos usos, atualmente encontra-se fechado e em péssimo estado de conservação, possuindo rachaduras, trincas e desníveis.

Os elementos de madeira, tais como barrote, escadas, janelas, forros, assoalhos, engradamento do telhado e pilares encontram-se sob forte ataque de cupins e os vidros das janelas estão quebrados.

Os revestimentos internos e externos estão se desprendendo das paredes, sendo ainda constatado, eminente risco de desabamento, conforme apurado pela Prefeitura Municipal de Itabira.

Para o pré-dimensionamento do programa, que será apresentado mais adiante, foram considerados os seguintes parâmetros projetuais exigidos pela Lei de Uso e Ocupação do Solo e critérios específicos orientados pelo COMPHAI:

Área de Zoneamento ZCE - Zona Central

Área de Interesse Cultural

Coeficiente de Aproveitamento 1,2

Taxa de permeabilidade 15% Área construída (máxima)-AIC 40,0 m²*

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