brasilinovador[1]

brasilinovador[1]

(Parte 1 de 12)

República Federativa do Brasil Presidente: Luiz Inácio Lula da Silva

Ministério da Ciência e Tecnologia Ministro: Sergio Machado Rezende

Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP Presidente: Odilon Antonio Marcuzzo do Canto

Confederação Nacional da Indústria – CNI Presidente: Armando de Queiroz Monteiro Neto

Instituto Euvaldo Lodi – IEL/Núcleo Central Diretor-Geral: Armando de Queiroz Monteiro Neto

Superintendente: Carlos Roberto Rocha Cavalcante

V. Gonçalves,[et al.]; coordenação Carlos Ganem e Eliane

B823 Brasil inovador : o desafio empreendedor : 40 histórias de sucesso de empresas que investem em inovação / Vladimir Brandão,Ada Cristina Menezes dos Santos. – [Brasília : IEL – NC, 2006.]164 p. : il.

1.Inovação Tecnológica. 2.Empreendedorismo. 3. Tecnologia 4.Pequenas, médias e grandes empresas.5. Criatividade. I. Brandão, Vladimir. I. Gonçalves, Ada Cristina V. II. Ganem, Carlos. IV. Santos, Eliane Menezes dos.

CDU: 658.012.4

Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

de empresas que investem em inovação / Vladimir Brandão[et al.];

B823 Brasil inovador : o desafio empreendedor : 40 histórias de sucesso coordenação Carlos Ganem. – [Florianópolis : Expressão, 2006.] 164 p. : il.

Inclui bibliografia ISBN 85-0-0-0

1.Empreendedorismo. 2. Pequenas e médias empresas – Brasil. 3. Empresas novas. 4. Criatividade – Executivos. 5. Motivação pessoal. 6. Inovações tecnológicas. I. Brandão, Vladimir. I. Ganem, Carlos.

CDU: 658.012.4

Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

Patrocínio Banco do Brasil

O DesafiO empreenDeDOr 40 histórias de sucesso de empresas que investem em inovação

A Finep, Agência Brasileira de Inovação do Ministério de Ciência e Tecnologia, completa 40 anos de fomento à geração do conhecimento, apoiando a pesquisa básica, a infra-estrutura acadêmica, o desenvolvimento de novas tecnologias em um ciclo completo da inovação.

Estudos internacionais reforçam o componente de inovação como o grande diferencial competitivo das empresas, independentemente de porte ou setor de atuação, o que se reflete não só no desenvolvimento de novos produtos e processos, mas também na otimização de custos. Assim, o entendimento da inovação vai além das atividades relacionadas somente a pesquisa e desenvolvimento (P&D). Por outro lado, também não está restrito ao conjunto de grandes corporações. Cada vez mais as empresas de pequeno e médio portes têm a inovação como base de sua estratégia de negócio.

Pesquisas realizadas recentemente pelo IBGE e pelo IPEA indicam que 3% das empresas brasileiras inovam. Em relação à exportação, a tecnologia participa com 1,7% da balança comercial. Esses números, no entanto, não desmerecem o conjunto das empresas inovadoras brasileiras, responsáveis por 25,9% do faturamento industrial e por 13,2% do emprego gerado.

Um aspecto importante a considerar é o avanço do marco legal do Brasil nos últimos dois anos. As regulamentações da Lei da Inovação e da Lei do Bem são exemplos concretos desse novo cenário. Além das questões legais, a implementação de novos instrumentos financeiros, mais adequados à realidade empresarial, como a subvenção econômica, certamente contribuirá para o atendimento das necessidades das empresas que têm a inovação como fator de competitividade.

Diante desse quadro, podemos afirmar que a busca constante de inovação é a melhor alternativa para o Brasil. Ainda há questões a trabalhar como, por exemplo, a propriedade intelectual e o estímulo à formação de redes para viabilizar novas parcerias e processos de transferência de tecnologia mais eficientes.

Esta publicação pretende mostrar que o caminho da inovação é viável e deve ser seguido para gerar novos casos de sucesso. Assim, ela apresenta um painel amplo e diversificado de empresas que acreditam nessa proposta, investem e colhem resultados expressivos no mercado global.

A Finep agradece o patrocínio do Banco do Brasil, que permitiu ampliar esta publicação, e a importante parceria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio do Instituto Euvaldo Lodi – IEL, na elaboração dos casos aqui apresentados.

Odilon Antonio Marcuzzo do Canto Presidente da Finep

Apresentação

Sumário

10 Introdução

14 Inovação 160 Referências 161 Créditos

O objetivo desta publicação é apresentar um painel sobre empresas brasileiras inovadoras, porém sem a pretensão de esgotar o assunto. No Brasil há muito mais criatividade, inteligência e esforço inovador do que poderia caber nas páginas de um livro. Por outro lado, se o tom da publicação é positivo, teve-se o cuidado de não superdimensionar a participação do Brasil no cenário mundial de inovação, no qual vários países encontraram o caminho do crescimento por meio da busca do novo, da construção de conhecimentos avançados e da produção de alto valor agregado. Este livro se propõe a exibir uma amostra do esforço empresarial inovador que vem se avolumando no Brasil, enfrentando por vezes grandes dificuldades, mas capaz de mostrar resultados bastante concretos, mensuráveis e rentáveis. Se a contribuição das empresas brasileiras no desenvolvimento de tecnologias que mudaram o curso da economia mundial ainda não alcançou a plenitude, as histórias de sucesso aqui relatadas apontam para um potencial extraordinário que, se desenvolvido, certamente fará o país galgar degraus na escala mundial de competitividade, riqueza e eqüidade social. Há novas janelas de oportunidade aguardando pela ação de espíritos inovadores, e espera-se que este livro sirva de inspiração para empresários que, se ainda não o fazem, passem a considerar a inovação como um pilar de suas estratégias de negócios.

Por isso, mais do que se limitar a falar de empresas, procurou-se, na medida do possível, contar a história de pessoas inovadoras, dotadas de visão, criatividade, engenho e força de vontade excepcionais. Trata-se de gente como Wang Shu Chen, que com a saúde abalada por solventes químicos desistiu de uma carreira executiva para criar a Adespec (SP), produtora de adesivos de alta performance à base de água. Como os irmãos Luiz e Amando Guerra, da TMED (PE), que viveram o drama de acompanhar o pai em um hospital e depois inventaram equipamentos que respeitam os pacientes. Gente como Attilio Turchetti, da Mecat (GO), que desenvolveu equipamentos industriais inovadores, ou como o projetista Rogério Farias, apaixonado por carros que, com o empresário Mário Araripe, criou a Troller (CE). O livro também fala de gente que contou com o apoio de grandes empresas, como os engenheiros da Bosch (SP), que acreditaram na viabilidade do motor flexfuel, ou como os funcionários da Alunorte (PA), que melhoraram a vida de comunidades carentes com uma solução surpreendentemente simples, porém extremamente criativa. As dezenas de pessoas que estão por trás ou à frente das empresas deste livro representam o verdadeiro espírito da inovação.

Introdução

Uma viagem ao Brasil Inovador

Os cases de empresas aqui publicados podem ser lidos isoladamente, no entanto recomenda-se apreciar o livro por inteiro. É no conjunto que está a sua força, é na diversidade que ele se revela surpreendente. No rico mosaico formado se vislumbram de forma ampla as inúmeras possibilidades e o imenso poder da inovação. A leitura completa desafia alguns dogmas. Por exemplo, aquele que afirma serem os universos empresarial e acadêmico mundos distintos, incompatíveis. Os casos bem-sucedidos de parcerias universidade-empresa não devem ser tomados como a regra geral, mas demonstram que este caminho pode e deve ser trilhado. Várias empresas desta coletânea nasceram de projetos acadêmicos e passaram por incubadoras empresariais, como a Bematech, de Curitiba, e a Polymar e a Nuteral, de Fortaleza. A tecnologia que deu o impulso inicial à Bematech foi desenvolvida para a conclusão do mestrado de seus fundadores. Na Polymar, a revisão bibliográfica de uma tese de doutorado foi a fonte da idéia que a originou. No caso da Nuteral, o pesquisador Augusto Guimarães não encontrou empresários dispostos a apostar na sua idéia, então acabou viabilizando-a pela via do empreendedorismo. Grandes empresas, como Petrobras (RJ), Aché (SP), WEG (SC), Siemens (SP), Braskem (SP), Oxiteno (SP) e Embraco (SC) mantêm parcerias frutíferas e constantes com instituições acadêmicas. Já a Brapenta (SP) prova que interações com pesquisadores da academia não são privilégios de grandes companhias. Sem recursos para manter grande estrutura de pesquisa, a empresa lança mão de parcerias para se manter tecnologicamente à frente em seu mercado.

A apreciação conjunta do livro não deixará o leitor indiferente aos avanços obtidos na área de biotecnologia. Trata-se de uma frente na qual o Brasil possui inegáveis vantagens comparativas, devido à invejável biodiversidade. Várias formas inovadoras de explorá-la estão contempladas. O laboratório Aché aposta que os novos rumos da indústria farmacêutica serão ditados pelos investimentos em biotecnologia e biodiversidade. A Natura (SP), ao mesmo tempo em que conquista mercados com a “vegetalização” de seus cosméticos, realiza importante trabalho social junto a comunidades que lhe fornecem insumos. A Pharmakos (AM) desenvolve medicamentos e cosméticos a partir da rica flora amazônica. O Projeto Pacu (MS) criou tecnologia avançada para a criação comercial de peixes nativos. A Fertibom (SP) descobriu alternativas para a produção de biodiesel. A capixaba Caliman desenvolveu um mamão do tipo formosa de tamanho diferenciado, e a Miolo encontrou o caminho para a produção de vinhos finos no Rio Grande do Sul. Mas a aplicação de conhecimentos e tecnologias nesta área ultrapassa as fronteiras da agropecuária e da exploração da flora e da fauna. Os casos da Pele Nova (MS), que desenvolveu revolucionários implantes de pele, e da Biomm (MG), que domina processos de produção de proteínas por DNA recombinante, dão uma idéia do alcance da tecnologia que de alguma forma envolve organismos vivos.

Também apresentamos representantes atuando nas principais tecnologias consideradas emergentes, além da já citada biotecnologia: Braskem, em nanotecnologia; Griaule (SP), Módulo (RJ) e PCtel (GO), em software; Brasilsat (PR) e Siemens (SP), em telecomunicações, e Embraer (SP), em aeronáutica. O importante setor de energia é representado pela Petrobras e seus fornecedores de tecnologia de ponta, como a carioca Pipeway. Verdadeiras usinas de novos produtos, como Schulz (SC), Marcopolo (RS), Randon (RS), Ouro Fino (SP), Tigre (SC), Simas (RN) e Nutrimental (PR), ensinam como se conquista mercado com inovações constantes. Complexos processos industriais desenvolvidos pela Sabó (SP), pela Lupatech (RS) e outras revelam a força da inovação no coração das fábricas.

A amostra de 40 empresas selecionadas representa uma pequena fração do universo inovador brasileiro. Dezenas, talvez centenas de casos, que sem nenhum hiato de qualidade em relação aos presentes poderiam ter sido publicados, foram deixados de fora por limitações de espaço, tempo e recursos. A difícil seleção das empresas foi norteada por critérios objetivos, porém incapazes de se impor como incontestavelmente justos. Por isso, é importante frisar, a publicação não se constitui em nenhum tipo de ranking da inovação, mas sim numa amostragem que procurou levar em conta as diversidades de porte, setor e localização geográfica, passando assim a mensagem que inovação independe do tamanho da empresa e pode ser praticada mesmo longe dos grandes centros. Quanto à abordagem, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), instituições que encabeçam o projeto, optaram por adotar um entendimento amplo do tema. Vários conceitos de inovação estão exibidos em destaque ao longo do livro, e todos os casos relatados encaixam-se ao menos em um deles.

Como forma de identificar empresas inovadoras, foi adotado como referência a participação em programas e linhas de crédito oferecidos pelas instituições, tais como os financiamentos reembolsáveis e não-reembolsáveis da Finep, e os programas do IEL de cooperação internacional (AL-Invest) e de educação executiva. Outros referenciais utilizados, que como os anteriores não são excludentes, foram a passagem por incubadoras, a existência de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a preocupação com propriedade intelectual. A participação no Prêmio Finep de Inovação Tecnológica também foi importante norteador. O prêmio, instituído em 1998, firmou-se como importante referência em inovação no país. Desde a sua concepção ele conta com a parceria da Editora Expressão, responsável pelos projetos editorial e gráfico e pela produção do conteúdo deste livro. A trajetória e a expertise da editora também foram importantes para a consolidação do universo de empresas. Por fim, foi fundamental a colaboração das próprias empresas, que forneceram as informações necessárias para a elaboração do material aqui apresentado.

Inovação

Inovações acrescentam valor a produtos, ajudando as empresas a sobreviver num cenário crescentemente competitivo. Elas têm utilidades múltiplas: dão acesso a novos mercados, aumentam lucros, geram emprego e renda, fortalecem marcas. Tais vantagens tornaramse cruciais num mundo globalizado, no qual as empresas são obrigadas a competir, tanto no mercado externo quanto no interno, com concorrentes instalados em qualquer canto do mundo. Mas nem de longe os benefícios se restringem ao ambiente corporativo. Produtos melhores e mais baratos têm impacto na qualidade de vida dos consumidores. A influência na economia é igualmente notável. A exportação de produtos inovadores rende muito mais divisas a um país do que commodities agrícolas ou minerais. O eixo da competitividade mundial está se voltando para o lado do conhecimento e da inovação, aponta Odilon Marcuzzo, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Antes eram as matérias-primas, os bens fixos e tangíveis que determinavam a competitividade dos países. Nos últimos 30 anos as nações estão investindo cada vez mais em conhecimento”, diz.

De fato, estudos de diversos economistas que se debruçaram sobre a questão do desenvolvimento a partir da segunda metade do século X convergem para um ponto comum, segundo relatório do Banco Mundial (BIRD): o conhecimento acumulado pode ser mais importante para o crescimento econômico do que o investimento em fábricas e máquinas. A competitividade está cada vez mais assentada na capacidade de adaptação a mudanças tecnológicas e nos avanços organizacionais. Está cada vez mais em sintonia com a capacidade das empresas de explorar as partes de maior valor das cadeias produtivas e de responder rapidamente a oportunidades e ameaças que surgem a toda hora no mercado. Nesse contexto, a capacidade de inovar ganha importância preponderante na definição de quem vai prosperar ou sucumbir. O valor dos produtos e serviços depende cada vez mais da quantidade de inovação, tecnologia e inteligência neles incorporada. O economista Peter Drucker (1909-2005), considerado

Inovações são essenciais para o desenvolvimento de empresas e países. As companhias brasileiras precisam investir mais, com o apoio de políticas públicas

O desafio de reinventar os negócios

Acima o 14 bis, a invenção de Santos Dumont. Ao lado inovações desenvolvidas pela Embraer

(Parte 1 de 12)

Comentários