CONSÓRCIO CEDERJ / FUNDAÇÃO CECIERJ

CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA

DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

UNIIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

BIODIVERSIDADE EM RISCO

Rio de janeiro, 2011.

LILIANE KIFFER FIGUEIRA DO NASCIMENTO,

NILCILENE CRISTINA DA SILVA.

Trabalho apresentado como requisito parcial para

Obtenção de aprovação na disciplina Seminários em Educação a Distância, no Curso de licenciatura em Ciências Biológicas, na Universidade Federal do rio de Janeiro, Cederj.

Rio de janeiro, 2011.

A integridade dos recifes de Maracajaú, no litoral do Rio Grande do Norte, vem sendo ameaçada por atividades humanas, preocupando oceanógrafos, ecólogos, biólogos e outros defensores da natureza. Os principais fatores responsáveis pelo desequilíbrio ecológico observado naquele complexo recifal são a crescente ocupação do litoral, a pesca predatória e a exploração turística

  • Conhecida localmente como ‘parrachos’, a área de recifes de Maracajaú está localizada no litoral do município de Maxaranguape (RN). Tais recifes integram a Área de Preservação Ambiental dos Recifes de Corais (Aparc), unidade de conservação criada em junho de 2001. Essa unidade abrange a faixa costeira e a plataforma marítima rasa que se estende diante dos municípios de Maxaranguape, Rio do Fogo e Touros, totalizando cerca de 32,5 mil hectares de área protegida.

  • Esse ecossistema é formado por diferentes tipos de ambientes de fundo: em algumas áreas, o fundo é arenoso e, em outras, recoberto por gramas marinhas ou algas calcárias (compostas basicamente por carbonato de cálcio). Os recifes de Maracajaú são estruturas calcárias constituídas, principalmente, por arenito, corais e algas calcárias incrustantes que crescem verticalmente até uma altura de 3 m ,. Esses recifes têm densidade variada: em alguns pontos estão fundidos uns aos outros, como na parte sudeste dos parrachos, e em outros podem surgir bem espaçados sobre o fundo arenoso

  • A presença humana nos parrachos de Maracajaú causa impactos indesejáveis, como o pisoteamento dos recifes, prejudicial aos organismos que o habitam, a quebra dos corais pelo impacto das âncoras e a retirada de pedaços destes para comercialização ou como lembrança. Além disso, a poluição decorrente do despejo acidental de combustível e de óleo de motores também tem contribuído para a degradação. Enquanto o turismo intensivo compromete a saúde dos corais, a pesca predatória modifica a relação entre as espécies, gerando um desequilíbrio ecológico na área recifal.

  • Apesar das interferências humanas, os parrachos ainda exibem grande variedade de vida. Os organismos mais conhecidos e procurados pelos visitantes desse local são corais, peixes, crustáceos e moluscos.

Menos procuradas, mas de importância vital para a comunidade recifal, as macroalgas marinhas formam tapetes de cores variadas e intensas .Esses organismos são de grande relevância ecológica, porque constituem a base de diversas cadeias alimentares e também servem de abrigo, berçário e refúgio para diversas espécies de invertebrados e pequenos vertebrados.

No livro Monitoramento dos recifes de coral do Brasil (2006), a bióloga marinha Beatrice P. Ferreira e o oceanógrafo Mauro Maida registram 32 espécies de peixes para o complexo Maracajaú.

  • Desses peixes, aqueles de valor comercial, como budiões (família Scaridae), piraúna (família Serranidae) e guaiúba (família Lutianidae), são bastante comuns na área .

Peixes que vivem escondidos ou camuflados (moréias, cavalos-marinhos, linguados e outros) também podem ser encontrados com freqüência em tocas, em fendas de corais e no meio das algas.

  • Entre os invertebrados, destacam-se lagostas, estrelas-do-mar, polvos e ouriços (figura 5), mas ainda fazem parte da fauna local anêmonas, esponjas e aplísias

  • . No caso dos corais, seis espécies foram identificadas, das quais três pertencem ao grupo dos corais duros (S. stellata, Favia gravida e Porites asteroides) e três ao dos corais moles (Millipora alcicornis, Palythoa caribaeorum e Zoanthus sociatus).

  • Das espécies identificadas, S. stellata mostra dominância significativa em toda a área dos parrachos. Todos esses corais estão associados a macroalgas marinhas pertencentes aos grupos Chlorophyta (algas verdes), Ochrophyta (algas pardas) e Rhodophyta (algas vermelhas).

IMPACTOS AMBIENTAIS:

  • Estudo recente da equipe dos Departamentos de Oceanografia e Limnologia e de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) demonstrou que a atividade turística altera a comunidade biológica dos recifes da Aparc.

  • A pesquisa, para avaliar o impacto dessa atividade, tomou como base a distribuição de diferentes espécies de macroalgas. Esses organismos são considerados bioindicadores ideais porque sua presença e sua densidade (ou dominância) refletem o grau de perturbação das condições naturais do ambiente.

  • As macroalgas foram estudadas em duas áreas, uma com a presença de turistas (ao lado de uma estrutura flutuante usada como base para mergulhos) e a outra onde não é permitida a visitação (conforme parte das normas da Aparc).

RESULTADOS:

levantamento mostrou que as comunidades de macroalgas eram bastante diferentes nas duas áreas amostradas.

  • Como esperado, a área não impactada (sem turistas) apresentou maior diversidade de espécies, com maior representatividade para a alga parda Sargassum hystrix.

  • Já na área impactada (de visitação intensa), a comunidade de macroalgas era composta por algas de pequeno porte e ciclo de vida curto, que se adaptam facilmente a ambientes sujeitos a freqüentes perturbações

  • Nessa área, a movimentação das embarcações e o uso inadequado das nadadeiras por parte dos turistas normalmente provoca a ressuspensão de sedimentos de fundo, o que contribui para a remoção da cobertura biológica.

  • favorecendo a colonização dos espaços desocupados por essas associações de algas e pela alga verde Caulerpa racemosa. Essa espécie, amplamente distribuída nos mares tropicais, é conhecida por sua capacidade invasora e pela habilidade em competir por espaço com outras espécies.

  • A abundância dessa alga também está associada ao aumento da atividade pesqueira nos parrachos.

  • Muitos peixes recifais alimentam-se de macroalgas, e sua captura reduz esse consumo. Com isso, as macroalgas tendem a aumentar sua densidade populacional e algumas espécies chegam a crescer sobre os corais, causando sua morte.

  • A proliferação dessas algas sobre a superfície ainda não ocupada também inibe a fixação das larvas de corais.

  • As alterações ambientais decorrentes das diferentes atividades desenvolvidas nos parrachos têm sido motivo de preocupação para várias instituições, como a UFRN e o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema), do governo do Rio Grande do Norte, as quais têm realizado estudos de monitoramento dos recifes, com o objetivo de minimizar os riscos que podem comprometer o equilíbrio desses ecossistemas.

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