Prova UNIFESP 2006 (sem comentários)

Prova UNIFESP 2006 (sem comentários)

(Parte 1 de 6)

RESIDÊNCIA MÉDICA (R1) - 2006 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO - UNIFESP

1) José, 48 anos, politraumatizado, esteve internado na Enfermaria de Ortopedia devido a fratura exposta de fêmur por 20 dias. No segundo dia de internação foi verificado em radiografia torácica de rotina que havia um infiltrado em ápice do pulmão esquerdo, sem cavidade. Foram feitas cinco baciloscopias de escarro, todas negativas. O paciente recebeu alta hospitalar e, no retorno ambulatorial com pneumologista, houve crescimento de M. tuberculosis na cultura de escarro colhida durante a internação. Segundo as normas do Ministério da Saúde, qual a conduta quanto aos profissionais de saúde e demais pacientes (todos em situações clínicas não associadas a alto risco de desenvolvimento de tuberculose), que entraram em contato com o paciente? a) Realizar PPD. b) Realizar radiografia torácica. c) Realizar PPD e radiografia torácica. d) Não avaliá-los, pois não estão em situação de alto risco. e) Realizar baciloscopia de escarro e radiografia torácica.

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2) As questões de números 2 e 3 referem-se ao seguinte caso clínico

Um paciente de 46 anos de idade, sexo masculino, branco, de origem mediterrânea, procurou um ambulatório de Clínica Médica com queixa de excesso de peso. Ao interrogatório negou ter outros problemas, exceto o seu peso, negando também qualquer antecedente mórbido importante. Ao exame físico apresentava um peso de 98 quilos e uma altura de 1,71 cm, estando em bom estado geral, com pressão arterial de 150 x 100 mmHg, ausculta pulmonar e cardíaca normais, abdômen globoso, sem visceromegalias, circunferência abdominal de 110 cm. Trazia consigo alguns exames realizados recentemente: glicemia de jejum de 108 mg%, glicemia (2 horas pós 75 g de glicose via oral) de 136 mg%, ácido úrico de 9,4 mg%, colesterol de 220 mg/dL e triglicérides de 230 mg/dL.

No tocante ao estado nutricional do paciente, e, de acordo com os critérios da OMS para o IMC (Índice de Massa Corpórea), pode-se dizer que:

a) Se trata de um paciente com sobrepeso. b) Se trata de um paciente com obesidade grau 1.

c) Se trata de um paciente obeso mórbido. d) Para aferimos o grau de obesidade necessitamos de bioimpedanciometria. e) Com base na sua circunferência abdominal, pode-se afirmar que a sua obesidade é de grau 2.

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3) No tocante a patofisiologia do processo mórbido que acomete o referido paciente, pode-se afirmar que:

a) O nível de triglicérides elevado indica que suas ilhotas pancreáticas estão entrando em falência. b) A sua secreção insulínica é normal. c) A sua circunferência abdominal permite afirmar que ele tem resistência insulínica. d) O paciente não tem resistência insulínica, porque o seu colesterol está discretamente elevado. e) O paciente tem deficiência de secreção insulínica, pois isso é próprio dos obesos.

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Prova oficial não comentada.

4) MMS, residente na Vila Clementino, 25 anos, solteira, secretária, chega à Unidade Básica de Saúde (UBS) sem consulta marcada previamente, dizendo ter sido estuprada quando se dirigia ao trabalho. Conversa com a recepcionista da Unidade Básica, solicitando uma consulta. O procedimento que deve ser adotado pela recepcionista da UBS é encaminhá-la para:

a) O médico realizar o primeiro atendimento. b) A delegacia de defesa das mulheres. c) O pronto-socorro referenciado. d) O serviço especializado neste atendimento. e) O exame de Corpo de Delito.

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5) Mulher de 78 anos, aposentada como professora de ensino médio, portadora de doença arterial coronariana, diabetes e insuficiência renal crônica, é submetida a uma avaliação geriátrica ampla, face à crescente necessidade de ajuda para realizar atividades do dia-a-dia, como fazer compras, cuidar das finanças e da casa, por exemplo. Desde que teve um acidente vascular cerebral há dois anos, deambula com a ajuda de um andador. Atualmente faz uso de aspirina, nitrato, diltiazem, furosemida, enalapril e glipizida. No Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), apresentou escore de 23/30. Vive só desde que o marido morreu há um ano e conta com a ajuda da sobrinha, que tem uma loja próxima, para conseguir comprar mantimentos, pagar as contas, limpar os apartamentos e ir ao médico quando necessário. Qual o dado apresentado que deve ser considerado como maior fator de risco para mortalidade, independente de outros, nesse caso? a) O fato de viver só. b) Polimorbidade crônica. c) História pregressa de acidente vascular cerebral. d) Uso regular de mais cinco medicamentos. e) Declínio cognitivo com perda da independência na vida diária.

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6) Lactente de 8 meses de idade, negro, e trazido para consulta médica de rotina e a mãe refere que a criança está um pouco irritada há 1 mês. Apresenta-se descorada ++/4+, fígado palpável no RCD e baço a 1,5 cm em RCE, restante do exame sem alterações. O paciente foi um RN de termo, pesou 2.370 g ao nascimento e recebeu leite materno por 3 meses. Atualmente toma leite integral 7 vezes ao dia e sopa de legumes 2 vezes ao dia. Qual sua principal hipótese diagnóstica? a) Anemia ferropriva. b) Anemia megaloblástica. c) Microesferocitose. d) Anemia por deficiência de cobre. e) Anemia falciforme.

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7) Para investigar se o conteúdo de fibras vegetais na dieta está relacionado com o risco de câncer colorretal, foi conduzido um estudo prospectivo do coorte com 8.757 enfermeiras (Nurse’s Health Study - idade média de 47 anos, acompanhamento de 16 anos), com questionários detalhados e validados. O diagnóstico de colorretal (787 casos) foi elaborado de maneira padronizada com investigadores mascarados quanto à ingestão de fibras por parte das enfermeiras. Alguns dados estão resumidos e adaptados na tabela a seguir:

R*1 0,96 0,93
(IC 95%)**(0,75 - 1,21) (0,72 - 1,19)

Ingestão de fibras Baixa Média Alta * Risco Relativo ajustado para múltiplas variáveis de confusão

** IC: intervalo de confiança

Com base exclusivamente nos dados apresentados, os pesquisadores provavelmente decidiram que:

a) Houve efeito protetor pela ingestão de fibras porque os riscos relativos, com 95% de confiança, foram menores do que 1,0 nos estratos com maior consumo de fibras. b) Não houve efeito protetor pela ingestão de fibras porque as reduções nos riscos relativos não tiveram significância estatística, apesar do grande tamanho da amostra. c) Nenhuma conclusão poderia ser tirada do estudo pela grande possibilidade de ser cometer erro do tipo I. d) Não houve efeito protetor pela ingestão de fibras porque mesmo a redução de risco no grupo que ingeria a maior quantidade de fibras foi de menos de 10%. e) Houve efeito protetor pela ingestão de fibras porque a redução de risco no grupo que ingeria a maior quantidade de fibras foi maior que 5%.

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8) Considere os dados seguintes para responder às questões de números 8 e 9

Taxas de mortalidade por 100.0 habitantes, para quatro grupos de doenças (capítulos da CID-10), segundo a cor da pele (branca ou negra) e sexo. Estado de São Paulo (ESP), 1999. (Esta tabela não inclui pessoas pardas, amarelas ou indígenas).

Capítulos da CID-10Mulheres Homens
BrancasNegras Brancos Negros
IV Doenças endócrinas, nutricionais29,8 39,7 25,9 30,8
V Transtornos mentais e comportamentais1,9 3,3 6,4 19,6

(inclui alcoolismo)

XV Gravidez, parto e puerpério37,9 245,5
X Causas externas (acidentes e violências)23,3 30,4 136,3 274,4

(Batista, LE BEPA Boletim Epidemiológico Paulista, 2005).

Com base nesses dados, é possível afirmar que:

a) O risco de homens brancos ou negros, juntos, terem morrido por doenças do capítulo IV, não superou o de mulheres negras terem morrido por essas causas. b) As causas externas foram a principal causa de morte para homens no Estado de São Paulo em 1999. c) Para as mulheres, a cor da pele esteve mais relacionada às mortes por doenças do capítulo IV do que por doenças do capítulo X. d) O risco de as mulheres negras terem morrido de causas ligadas à gravidez, parto ou puerpério foi mais de seis vezes o das brancas. e) O risco de as mulheres negras morrerem por doenças do capítulo X foi 7,1% maior do que o das brancas.

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9) Taxas de mortalidade por 100.0 habitantes, para quatro grupos de doenças (capítulos da CID-10), segundo a cor da pele (branca ou negra) e sexo. Estado de São Paulo (ESP), 1999. (Esta tabela não inclui pessoas pardas, amarelas ou indígenas).

BrancasNegras Brancos Negros
IV Doenças endócrinas, nutricionais29,8 39,7 25,9 30,8
V Transtornos mentais e comportamentais1,9 3,3 6,4 19,6

Capítulos da CID-10 Mulheres Homens (inclui alcoolismo)

XV Gravidez, parto e puerpério37,9 245,5
X Causas externas (acidentes e violências)23,3 30,4 136,3 274,4

(Batista, LE BEPA Boletim Epidemiológico Paulista, 2005).

Na tabela acima observam-se taxas de mortalidade mais elevadas para a população negra nos quatro capítulos da CID-10 apresentados. Indique quais associações podem ser feitas com as condições de vida e com o acesso aos serviços de saúde, quando se comparam as populações negra e branca.

a) As doenças nos grupos IV, V e X são as únicas que apontam problemas da população negra no acesso aos serviços de saúde. b) As doenças do capítulo IV apontam para dificuldade ao acesso aos serviços de saúde e as dos demais capítulos, para diferenças nas condições de vida. c) As doenças dos capítulos IV e V apontam para diferenças nas condições de vida e aos demais capítulos, para diferenças no acesso aos serviços de saúde. d) As doenças do grupo XV são as únicas relacionadas à dificuldade de acesso da população negra aos serviços de saúde. e) As doenças dos quatro capítulos apontam para diferenças no acesso aos serviços de saúde e nas condições de vida.

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10) A febre amarela silvestre é doença infecciosa aguda considerada “persistente” em termos de sua situação de controle no Brasil, atualmente. Trata-se de afecção que:

a) É considerada grave por ter apresentado, nos últimos 40 anos, letalidade da ordem de 20%. b) Ocorreu pela última vez no Brasil, em sua forma urbana, há pouco menos de 40 anos. c) A partir de 1999 demonstra comportamento de deslocamento para fora da região endêmica (Amazônia) em direção ao leste e ao sul do país. d) Ocorre de forma enzoótica nas matas, sendo de pouca importância para os humanos os episódios epizoóticos observados em macacos. e) Não apresenta variação sazonal em sua ocorrência.

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1) Homem de 52 anos de idade, negro, casado, operário da construção civil, hipertenso há 4 anos, foi admitido no Serviço de Emergência com quadro clínico de abdome aguda e história de febre há 2 semanas. Submetido a laparotomia, esta revelou perfuração de alça intestinal e peritonite fecal. Evoluiu com septicemia após a cirurgia veio a falecer de choque séptico dois dias depois. O exame anatomopatológico mostrou reação específica à infecção pela Salmonella typhi no local da perfuração. A parte I do atestado médico da Declaração de óbito deve ser assim preenchida:

a) I Salmonelose intestinal

I Perfuração de alça intestinal I Febre há duas semanas IV Hipertensão arterial sistêmica b) I Choque séptico

I Peritonite fecal I Febre tifóide IV Hipertensão arterial sistêmica c) I Choque séptico

I Peritonite fecal I Perfuração de alça intestinal IV Febre tifóide d) I Abdome agudo

I Choque séptico I Febre há duas semanas IV Salmonelose intestinal e) I Choque séptico em indivíduo hipertenso

I Perfuração de alça intestinal com peritonite fecal I Febre tifóide IV Abdome agudo

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12) Duas mil e quinhentas (2 500) portadoras de adenocarcinoma de mama, diagnosticadas por biópsia e 5 0 mulheres, pareadas aos casos por sexo e idade, foram submetidas ao exame clínico da mama. O exame clínico foi positivo (nódulo palpável) em 1 800 casos e em 800 controles (essas últimas, todas com biópsia sem evidência de câncer). Pode-se afirmar que o exame clínico da mama:

a) Registrou valor preditivo negativo de 9,9%. b) Revelou sensibilidade de 84%. c) Mostrou especificidade de 72%. d) Apresentou valor preditivo positivo de 69,2%. e) Teria sua especificidade aumentada em uma população com alta prevalência de câncer de mama.

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13) A chamada síndrome do Burnout foi definida para caracterizar:

a) Perda significativa da possibilidade do estabelecimento de uma relação médico-paciente minimamente funcional. b) Os sintomas experimentados pelos pacientes como resposta ao estresse cirúrgico de grande magnitude. c) Situações de correntes de estresse emocional crônico provocadas no paciente por uma relação médico-paciente tanatizante. d) Situação limite da equipe multiprofissional em função de comportamento disruptivo de seus integrantes. e) Os sintomas vivenciados pelos profissionais de saúde como resposta ao estresse emocional crônico intermitente.

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14) Considere um município de 120 mil habitantes, cuja rede municipal de serviços de saúde é composta por: 1 Hospital Geral com serviço de pronto-socorro, 1 Ambulatório de Especialidades e 6 Unidades Básicas de Saúde (UBS). Entre estas, uma incorpora equipe completa do Programa de Saúde da Família e outra tem atendimento odontológico, fonoaudiológico, psicológico e outras especialidades médicas além de pediatria, clínica geral e ginecologia/obstetrícia e serviço de radiologia. No município, existe ainda uma Santa Casa de Misericórdia. JAW, 69 anos, que mudou residência do Acre para esse município, chegou à Santa Casa de Misericórdia portando relatório médico com os seguintes diagnósticos: Hanseníase Virchowiana e Diabetes Mellitus. Esse paciente deve ser encaminhado para:

a) A UBS mais próxima de sua residência, por ser de mais fácil acesso para o paciente e seus comunicantes. b) O ambulatório de especialidades, para facilitar seu acesso aos recursos especializados disponíveis nesse serviço. c) A própria Santa Casa, por se tratar de portador de patologia contagiosa que necessita de unidade de isolamento. d) O Hospital Universitário da cidade mais próxima, que é o serviço mais qualificado para atender as intercorrências freqüentes na associação dessas patologias. e) A UBS com equipe de pronto-socorro, mesmo que resida em outro bairro, pois essas patologias estão entre as prioridades desse programa, sendo sua equipe mais capacitada para o acompanhamento desse paciente.

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15) Considere um município de pequeno porte, com cerca de 20 0 mil habitantes, que tem os seguintes equipamentos de saúde: 2 Unidades Básicas de Saúde e 1 serviço de pronto atendimento. Para viabilizar os princípios da universalidade e da integralidade do Sistema Único de Saúde, esse município deve:

a) Adquirir uma ambulância e contratar serviços de apoio diagnóstico. b) Construir um Hospital Geral, com serviço de pronto-socorro. c) Implantar o Programa de Saúde da Família e contratar serviços de apoio e diagnóstico. d) Adquirir uma ambulância e construir um Ambulatório de Especialidades. e) Estabelecer relações institucionais com municípios próximos para garantir o atendimento de média e alta complexidade.

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