Ribeiro et al., 2005 - Implicações paleoambientais

Ribeiro et al., 2005 - Implicações paleoambientais

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Neste CD você encontrará os resumos apresentados nas seguintes Sessões Temáticas: - Biocronologia-Bioestratigrafia

- Curadoria e técnicas de preparação

- Ensino de paleontologia

- Evolução e sistemática filogenética

- Paleobiogeografia

- Paleobiologia

- Paleoecologia - Paleoambientes

- Paleoicnologia

- Tafonomia

- Taxonomia e Sistemática

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XIX Congresso Brasileiro de Paleontologiafile:///E:/capa.htm

RIBEIRO, A.M.1; BAUERMANN, S.G.2; RODRIGUES, P.H.1.3,4; SCHERER, C.S.1.3.; HSIOU, A.1.3.4.

1 Museu de Ciências Naturais, FZBRS 2 ULBRA, Laboratório de Palinologia 3 PPGGeociências – UFRGS 4 Bolsista do CNPq-Brasil

Ao longo dos últimos anos, o Quaternário do RS tem sido estudado sob diversos aspectos, e em cada uma das áreas do conhecimento têm sido propostas diferentes reconstruções paleoambientais. Para o Pleistoceno há um consenso quanto a uma paisagem predominantemente campestre, representada principalmente por Poaceae, Asteraceae (especialmente Baccharis) e Apiaceae. Os poucos táxons arbóreos representados no registro palinológico correspondem a Myrtaceae que deveria ocorrer de forma arbustiva nos campos. São encontrados também alguns poucos grãos de pólen de Araucaria e de representantes da Floresta Atlântica como Celtis, Alchornea, Euterpe e Moraceae/Urticaceae, os quais correspondem a grãos que sofreram transporte de grandes distâncias, originados provavelmente, das escarpas da Serra Geral. Entretanto, com relação ao paleoclima, os dados fornecidos pelos vertebrados são discrepantes, o que, somado à falta de dados palinológicos e de datação na maioria destas localidades, não permite uma segura definição. Por exemplo: na localidade Sanga da Cruz – Salatiel I (C14 17.830 a 17.850 anos AP) é registrado Macrauchenia, o qual é encontrado na Argentina associado com elementos faunísticos que sugerem condições temperadas e úmidas. Na localidade Sanga da Cruz – Salatiel

I (TL 1.740 ± 600 a 14.925 ± 800; C14 12.0 anos AP), bem como em outras localidades ocorrem Palaeolama e Lama, considerados bons indicadores ambientais e climáticos. Levando-se em conta o ambiente atual dos camelídeos sul-americanos, poderia ser inferido clima mais frio e seco. Algumas localidades que apresentam datações radiocarbônicas e informações palinológicas indicam um clima frio e seco (corroborando o que se infere para o Salatiel I), mas até o momento não foi encontrado material de vertebrados. Para o Holoceno Inferior (10.0 a 6.0 anos AP) no Município de Santo Antônio da Patrulha, os dados palinológicos apontam também para uma paisagem predominantemente de campo, mas já com um aumento da diversidade dos táxons arbóreos de origem tropical (incluindo aqueles pioneiros) além dos herbáceos (Marcgravia, Clusia, Mimosa e Piper). A fauna de mamíferos (Chiroptera e Didelphimorphia [Monodelphis e Gracilinanus], resultados preliminares) corrobora estes dados, já que se tratam de animais que podem viver em áreas abertas, mas que também se utilizam dos recursos arbóreos, como por exemplo para a construção de ninhos. Alguns táxons de Chiroptera parecem sugerir uma floresta já bem estabelecida, haja vista sua distribuição atual. Em que pese, a palinologia sugerir um clima mais quente e seco, a fauna parece indicar ambientes com maior umidade. No entanto, considerando-se ambos os dados, é possível imaginar um cenário de campos extensos, pontuados por matas próximas a corpos d’água, que formariam microclimas, possibilitando a sobrevivência destes animais. Portanto, para a reconstituição do cenário paleoambiental do Quaternário do RS de forma mais concreta e precisa, se faz necessária a integração de diferentes áreas, em especial, da Paleozoologia e Palinologia.

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