Revestimentos de Argamassas - Boas Práticas em Projeto, Execução e Avaliação - Recomendações Técnicas HABITARE Vol. 1

Revestimentos de Argamassas - Boas Práticas em Projeto, Execução e Avaliação -...

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Recomendações Técnicas HABITARE Volume 1

Revestimentos de Argamassas

Boas Práticas em Projeto, Execução e Avaliação

Luiz Henrique Ceotto

Ragueb C. Banduk Elza Hissae Nakakura

© 2005, Recomendações Técnicas HABITARE Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - ANTAC Av. Osvaldo Aranha, 9 - 3° andar - Centro 90035-190 - Porto Alegre - RS Telefone (51) 3316-4084 Fax (51) 3316-4054 http://www.antac.org.br/

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Editores da Série Recomendações Técnicas HABITARE Roberto Lamberts - UFSC Carlos Sartor - FINEP

Equipe Programa HABITARE Ana Maria de Souza Angela Mazzini Silva

Texto da capa Arley Reis

Revisão Giovanni Secco

Projeto gráfico Regina Álvares

Editoração eletrônica Amanda Vivan

Imagens da capa e sumários Lisa Kyle Young, Jgough, Christine Gonsalves, Marcos Serafim, Regina Álvares

Fotolitos, impressão e distribuição Prolivros Ltda. w.prolivros.com.br

Catalogação na Publicação (CIP). Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ANTAC).

R453Revestimentos de Argamassas: boas práticas em projeto, execução e avaliação / Editores Luiz Henrique Ceotto, Ragueb C. Banduk [e] Elza Hissae Nakakura. — Porto Alegre : ANTAC, 2005. — (Recomendações Técnicas Habitare, v. 1) 96p.

1. Revestimentos. 2. Argamassa. 3. Construção civil. I. Ceotto, Luiz Henrique. I. Banduk, Ragueb C. II.Nakakura, Elza Hissae. IV.

Série.

CDU - 691.53

1 Introdução6
1.1 Histórico7
1.2 Os desacertos da cadeia9
1.2.3 Fabricantes de componentes e resinas10
1.2.4 Fornecedores de serviço de aplicação11
1.2.5 Projetistas, consultores e pesquisadores11
1.4 Os caminhos da solução13

Sumário 1.2.1 Construtoras _ 9 1.2.2 Fabricantes de argamassas _ 10 1.3 Primeiros passos _ 12

2.1 Condicionantes para o projeto18
2.3 Especificação dos materiais e equipamentos21
2.4 Diretrizes para seleção das argamassas22
2.6 Diretrizes para controle e inspeção25
2.7 Diretrizes para inspeção periódica e manutenção25
2.8 Conteúdo do projeto de revestimento25
2.8.1 Relação dos projetos consultados e analisados25
2.8.2 Detalhamento construtivo26
2.8.3 Memorial de especificação dos materiais26
2.8.5 Definição de controle27
2.8.6 Definição de rotina de manutenção e inspeção28
2.9 Principais atribuições de responsabilidade na fase de projeto28
3 Planejamento da produção30
3.1 Apresentação e capacitação da equipe32
3.2 Processo de escolha e contratação de recursos33
3.2.3 Equipamentos e ferramentas44
3.2.5 Laboratório de controle47
3.3.1 Condições para o início dos serviços48
3.3.2 Etapas do processo executivo49
3.4.2 Determinação da data de início e de término dos trabalhos50
3.5 Principais atribuições de responsabilidade na fase de planejamento52
4 Produção56
4.1.1 Treinamento da equipe técnica da obra58
4.1.2 Treinamento da equipe de mão-de-obra60
4.2 Recebimento dos materiais60
4.2.3 Equipamentos destinados à produção e aplicação das argamassas65
4.3 Armazenamento dos materiais65
4.4.1 Divisão das fachadas em lotes66
4.5 Preparo das argamassas67
4.6 Aplicação das argamassas e demais insumos67
4.6.4 Segunda descida73
4.7 Fixação de pré-moldados76
4.8 Controle e inspeção das etapas76
4.8.1 Controle de recebimento de insumos76
4.8.2 Controle dos lotes das fachadas79
das etapas de execução dos revestimentos das fachadas80
4.9 Atribuição de responsabilidades na fase de execução87
5 Conservação e manutenção de revestimentos externos90
5.1 Inspeção das fachadas, conservação e limpeza91
5.2 Anomalias93

3.3 Procedimentos de execução______________________________________________48 3.4 Cronograma _ 50 3.4.1 Providências preliminares _ 50 4.1 Treinamento _ 58 4.2.1 Argamassas _ 60 4.2.2 Outros materiais _ 64 4.4 Rastreabilidade _6 4.6.1 Primeira subida _ 68 4.6.2 Primeira descida _ 70 4.6.3 Segunda subida _ 72 4.8.3 Seqüência dos controles, inspeções, ensaios e liberação 5.2.1 Fissuras ou trincas _ 93 5.2.2 Revestimento solto _ 94 5.2.3 Alteração no aspecto original do revestimento (coloração, resistência superficial)_ 95

Bibliografia96

Recomendações Técnicas Habitare - Volume 1 | Revestimentos de Argamassas: Boas Práticas em Projeto, Execução e Avaliação 6

1.1 - Histórico 1.2 - Os desacertos da cadeia 1.3 - Primeiros passos 1.4 - Os caminhos da solução

7 Introduçãoxecução e Avaliação

Introdução s alvenarias e os revestimentos argamassados são tecnologias construtivas que, na sua essência, remontam seu uso desde a Idade Média. Inicialmente, as alvenarias eram utilizadas simultaneamente como vedações e como estrutura, e eram constituídas, na sua grande maioria, por tijolos de origem cerâmica assentados e revestidos com argamassa proveniente da mistura de cal e areia. Com a invenção do cimento Portland as argamassas sofreram uma evolução. Com a adição desse produto, conseguiram ter sua resistência aumentada e a aderência às bases onde eram aplicadas muito melhorada, já nas primeiras idades. Com a invenção do concreto armado, o sistema de construção mudou profundamente e as alvenarias deixaram de exercer sua função estrutural, sendo utilizadas somente como elementos de vedação. Os problemas de fissuração e destacamento das argamassas tiveram início nessa mesma época, embora não tenham sido percebidos na ocasião. Quando as alvenarias eram estruturais, as tensões eram uniformemente distribuídas em todo o conjunto alvenaria/revestimento, preponderantemente na direção vertical da edificação, provocadas pelo peso próprio do edifício e suas cargas de utilização. Os pisos de madeira e/ou aço de cada pavimento distribuíam com certa uniformidade as cargas nas paredes, as quais distribuíam,

1.1 Histórico

8 Recomendações Técnicas Habitare - Volume 1 | Revestimentos de Argamassas: Boas Práticas em Projeto, Execução e Avaliação também de forma uniforme, seu próprio peso e as cargas das lajes sobre sapatas corridas. Dessa maneira, as eventuais concentrações de tensões ocorriam em áreas muito reduzidas e eram de intensidade muito pequena. Os movimentos higrotérmicos eram facilmente dissipados nas grandes espessuras de argamassas usadas até então.

O uso de estruturas reticuladas de concreto armado, tal qual conhecemos hoje, introduziu novos problemas e suas respectivas conseqüências. Primeiro, as cargas que inicialmente eram uniformemente distribuídas nas paredes eram agora transferidas para vigas, que, por sua vez, as conduziam aos pilares, ou seja, as cargas eram desviadas horizontalmente por peças fletidas (vigas) para locais onde eram concentradas, que passavam a ser chamados de pilares. As vigas transferem essas cargas provocando deslocamentos verticais que chamamos de flechas. As paredes, que, quando usadas como estruturas, eram uniformemente comprimidas, passavam agora a sofrer outros tipos de tensões provocadas pelas vigas. As tensões de compressão deixaram de ser preponderantes, e as de tração e cisalhamento passaram a predominar. Como as alvenarias têm grande capacidade de resistência à compressão e pouca capacidade à tração e ao cisalhamento, instalou-se potencial para patologias.

Até 20 anos atrás, as estruturas de concreto possuíam vãos relativamente pequenos (de 3,5 m a 5 m) com muitos pilares, com edifícios raramente ultrapassando 16 pavimentos e construídos num prazo relativamente longo (24 a 30 meses). Essas condições faziam com que as tensões de tração e cisalhamento, embora maiores do que na alvenaria estrutural, não fossem grandes, o que não provocava patologias significativas.

Nos últimos 10 anos, a exigência por mais vagas de garagem cresceu muito, bem como a necessidade de aumento da produtividade para se reduzirem custos de produção. Além disso, o solo urbano teve seu preço demasiadamente majorado,

9 Introduçãoxecução e Avaliação fazendo com que os edifícios, que antes possuíam 16 pavimentos, agora fossem construídos com 30 pavimentos ou mais. Tudo isso somado tornou as estruturas de concreto armado bem mais solicitadas do que na sua origem, aumentando significativamente as deformações impostas à alvenaria. A conseqüência foi inevitável, com um aumento muito grande nas patologias nesses últimos anos. Para agravar a situação, para se conseguirem estruturas altas e com grandes vãos, foi necessário o aumento da resistência à compressão do concreto, dos valores comumente usados no passado, da ordem de 15 Mpa a 18 Mpa para os atuais 30 Mpa a 35 Mpa. Sabemos que, quanto mais resistente é o concreto, menor é a sua porosidade, o que dificulta ainda mais a aderência dos revestimentos e das argamassas de fixação da alvenaria, piorando a situação.

1.2 Os desacertos da cadeia

O problema narrado acima não aconteceu de forma súbita, mas numa evolução paulatina, sem que a cadeia produtiva tomasse qualquer providência. A falta de interação dos elos da cadeia produtiva fez com que o problema tenha assumido hoje proporções alarmantes. O nível de desconhecimento dos elos da produção sobre o comportamento dos revestimentos pode ser resumido como se segue.

1.2.1 Construtoras

Deficiências técnicas muito grandes no conhecimento sobre o comportamento dos revestimentos.

Insensibilidade com a necessidade de desenvolvimento.

Insensibilidade com a necessidade de se utilizarem projetos específicos nesse serviço.

A fachada, até então, é considerada somente como um produto decorativo, e não de engenharia.

10 Recomendações Técnicas Habitare - Volume 1 | Revestimentos de Argamassas: Boas Práticas em Projeto, Execução e Avaliação

Planejamento e controle da qualidade incompatível com a complexidade do problema.

Pouca preocupação com a capacitação das equipes de obra no assunto de revestimentos.

Quando feitas na própria obra, as argamassas são preparadas com muito poucos critérios técnicos, muitas vezes definidos pelo próprio operário.

São as empresas que pagam a conta dos prejuízos.

1.2.2 Fabricantes de argamassas

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