Manual de Oslo - 3a edição

Manual de Oslo - 3a edição

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Manual de Oslo

Manual de Oslo

Terceira edição

© Copyright OECD, 1997. A OECD não é responsável pela qualidade da tradução em português e sua conformidade com o texto original.

Traduzido sob a responsabilidade da FINEP — Financiadora de Estudos e Projetos – das edições originais em inglês e francês publicadas sob os títulos: The Measurement of Scientific and Technological Activities – Proposed Guidelines for Collecting and Interpreting Technological Innovation Data: Oslo Manual / La mesure des activités scientifiques et technologiques – Príncipes directeurs proposés pour le recueil et l'interpretation des donnés sur l'innovation technologique: Manuel d'Oslo.

Presidente da FINEP Odilon Marcuzzo do Canto

Diretores Carlos Alberto Aragão Carvalho Eliane de Britto Bahruth Fernando de Nielander Ribeiro

Produção: ART I/FINEP Coordenação editorial: Palmira Moriconi Tradução: Flávia Gouveia Revisão técnica: João Furtado Revisão ortográfica, projeto gráfico e editoração: DCOM/FINEP Ilustração da capa: acervo do Arquivo Nacional

Manual de Oslo

Terceira edição

Uma publicação conjunta de OCDE e Eurostat | Financiadora de Estudos e Projetos

A OECD é um fórum único no qual os governos de 30 democracias trabalham juntos para endereçar os desafios econômicos, sociais e ambientais da globalização. A OECD também está na vanguarda dos esforços para compreender e ajudar os governos a responder a novos desenvolvimentos e inquietações, como a governança corporativa, a economia da informação e os desafios de uma população que envelhece. A Organização provê um ambiente no qual os governos podem comparar experiências de políticas, buscar respostas para problemas comuns, identificar boas práticas e trabalhar para coordenar políticas domésticas e internacionais.

Os membros da OECD são: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coréia, Luxemburgo, México, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, República Eslovaca, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. A Comissão das Comunidades Européias participa do trabalho da OECD.

A OECD Publishing dissemina amplamente os resultados dos levantamentos estatísticos e pesquisas da Organização sobre questões econômicas, sociais e ambientais, assim como convenções, diretrizes e padrões acordados por seus membros.

APRESENTAÇÃO PREFÁCIO CAPÍTULO 1 OBJETIVOS E ESCOPO DO MANUAL

CAPÍTULO 2 TEORIAS DA INOVAÇÃO E NECESSIDADES DE MENSURAÇÃO

5.4.O impacto da inovação

CAPÍTULO 3 DEFINIÇÕES BÁSICAS

CAPÍTULO 4 CLASSIFICAÇÕES INSTITUCIONAIS

CAPÍTULO 5 INTERAÇÕES NO PROCESSO DE INOVAÇÃO
1.Introdução
2.Difusão intra-fronteiras
2.1.Tipos de interações
2.2.Coleta de dados sobre as interações no processo de inovação
2.3.Outros indicadores de interação
3.Difusão extra-fronteiras
4.Gestão do conhecimento
CAPÍTULO 6 A MENSURAÇÃO DAS ATIVIDADES DE INOVAÇÃO
1.Introdução
2.Os componentes e a cobertura das atividades de inovação
2.1.Pesquisa e desenvolvimento experimental
2.2.Atividades para as inovações de produto e processo
2.3.Atividades para as inovações de marketing e organizacionais
2.4.Design
2.5.O limite entre as atividades de inovação baseadas e não baseadas na P&D
2.6.O desenvolvimento e o uso de softwares em atividades de inovação
3.A coleta de dados sobre as atividades de inovação
3.1.Dados qualitativos sobre a atividade de inovação
3.2.Dados quantitativos sobre a atividade de inovação
3.3.Outras questões de mensuração
3.4.Classificação por tipo de gasto
3.5.Classificação por fontes de financiamento
1.Introdução
2.Objetivos e efeitos das inovações
3.Outras medidas dos impactos sobre o desempenho da empresa
3.1.O impacto sobre o faturamento
3.2.O impacto das inovações de processo sobre os custos e o emprego
3.3.O impacto da inovação sobre a produtividade
4.Fatores que obstruem as atividades de inovação
5.Questões sobre a apropriabilidade das inovações
CAPÍTULO 8 PROCEDIMENTOS DAS PESQUISAS
1.Introdução
2.Populações
2.1.A população-alvo
2.2.A população de inferência
3.Métodos de pesquisas
3.1.Pesquisa obrigatória ou voluntária
3.2.Censo ou Pesquisa por amostragem
3.3.Domínios
3.4.Técnicas de amostragem
3.5.Pesquisas de dados em painel
3.6.Os métodos da pesquisa e os respondentes apropriados
3.7.O questionário
3.8.Pesquisas sobre inovação e P&D
4.Estimativa dos resultados
4.1.Métodos de ponderação
4.2.Não-resposta
5.Apresentação de resultados
6.Freqüência da coleta de dados
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXO A PESQUISAS SOBRE INOVAÇÃO EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO
ANEXO B EXEMPLOS DE INOVAÇÕES
ACRÔNIMOS

CAPÍTULO 7 OBJETIVOS, OBSTÁCULOS E RESULTADOS DA INOVAÇÃO ÍNDICE REMISSIVO

A Financiadora de Estudos e Projetos reconhece a inovação como um poderoso aliado no esforço para elevar a competitividade das empresas brasileiras. Neste sentido, esta Agência Brasileira da Inovação promove o Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica, o mais importante instrumento de sensibilização para reconhecer e premiar empresas e instituições científicas e tecnológicas em nosso País. Em todas as suas atividades, as referências usuais sobre inovação têm como base o Manual de Oslo em sua versão original.

Parte de uma série de publicações da instituição intergovernamental Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento – OCDE, o Manual de Oslo tem o objetivo de orientar e padronizar conceitos, metodologias e construção de estatísticas e indicadores de pesquisa de P&D de países industrializados. Seu antecessor, o Manual Frascati, editado em 1962, originou a série de publicações da OCDE que ficou conhecida como Família Frascati. Cada conferência de seus países membros, para a atualização de dados, toma o nome da cidade em que se realiza. São 28 os países membros da OCDE, que são, também, a base para os indicadores.

A primeira edição do Manual de Oslo data de 1990. A primeira tradução para o português foi produzida e divulgada pela FINEP em meio eletrônico, em 2004. Esta nova edição impressa do Manual de Oslo agrega as atualizações apresentadas na terceira edição, de 2005.

Em que pese o fato de se ter como fonte padrões de países desenvolvidos, o

Manual de Oslo é bastante abrangente e flexível quanto a suas definições e metodologias de inovação tecnológica e, por isso mesmo, tem sido uma das principais referências para as atividades de inovação na indústria brasileira que se quer cada vez mais competitiva.

É, portanto, com grande satisfação que a Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP traz a público a versão impressa da tradução para o idioma português do Manual de Oslo, apostando na utilidade de seu conteúdo para que as empresas e instituições brasileiras possam usufruir seus conceitos, adotá-los, discuti-los ou utilizá-los como referência para suas iniciativas de inovação tecnológica em prol do desenvolvimento do País.

Odilon Marcuzzo do Canto Financiadora de Estudos e Projetos PRESIDENTE

A geração, a exploração e a difusão do conhecimento são fundamentais para o crescimento econômico, o desenvolvimento e o bem-estar das nações. Assim, é fundamental dispor de melhores medidas de inovação. Ao longo do tempo a natureza e o panorama da inovação mudaram, assim como a necessidade de indicadores que apreendem tais mudanças e ofereçam aos formuladores de políticas instrumentos apropriados de análise. Um trabalho considerável foi realizado durante os anos 1980 e 1990 para desenvolver modelos e estruturas de análise para estudos sobre inovação. Experimentos com pesquisas pioneiras e seus resultados, juntos com a necessidade de um conjunto coerente de conceitos e instrumentos, levaram à primeira edição do Manual de Oslo em 1992, centrada na inovação tecnológica de produto e processo (TPP) na indústria de transformação. O Manual se tornou referência para várias pesquisas que examinaram a natureza e os impactos da inovação no setor comercial, tais como o European Community Innovation Survey (CIS), atualmente em sua quarta edição. Os resultados dessas pesquisas levaram a refinamentos na estrutura do Manual de Oslo em termos de conceitos, definições e metodologia, originando a segunda edição publicada em 1997, que, entre outras coisas, expandiu o tratamento para o setor de serviços.

Desde então, a análise dos resultados de pesquisas e de necessidades de políticas levaram ao lançamento de outra revisão do Manual, cujo resultado pode ser visto nesta terceira edição. Como existe uma noção crescente de que muita inovação no setor de serviços não é apreendida de maneira adequada pelo conceito TPP, decidiu-se adicionar a questão das inovações não-tecnológicas nesta revisão. Dessa forma, o escopo do que é considerado uma inovação foi agora expandido para incluir dois novos tipos: inovação de marketing e inovação organizacional. Esses são certamente conceitos novos, mas eles já foram testados em vários países da OCDE, com resultados promissores.

Manual de Oslo

É também uma novidade desta edição o esforço em tratar a dimensão sistêmica da inovação, em um capítulo centrado nas interações relativas à inovação. Lições retiradas de outras pesquisas também foram incorporadas com o objetivo de refinar conceitos existentes e questões metodológicas, tais como a mensuração dos insumos e resultados da inovação, e também a melhoria dos métodos de coleta de dados.

A inovação ocorre também em países fora da região da OCDE: um número crescente de países na América Latina, leste da Europa, Ásia e África iniciaram a realização de pesquisas baseadas no Manual de Oslo. Embora o desenho dessas pesquisas tenha visado normalmente estar de acordo com os padrões do Manual de Oslo, muitas delas adaptaram sua metodologia para considerar as necessidades específicas dos usuários e as características dos sistemas estatísticos nesses países com diferentes cenários econômicos e sociais. Adaptações nacionais foram desenvolvidas por país e seguiram diferentes abordagens. Por exemplo, aceita-se amplamente que a difusão e as mudanças incrementais da inovação respondem por grande parcela da inovação em países fora da OCDE. Utilizando essas experiências ricas e diversas, adicionou-se um anexo a esta edição do Manual de Oslo, que incorpora algumas lições aprendidas e oferece um guia para novas pesquisas sobre inovação em países fora da OCDE.

O Manual de Oslo, desenvolvido conjuntamente pelo Eurostat e a OCDE, constitui parte de uma família de manuais dedicada à mensuração e interpretação de dados relacionados a ciência, tecnologia e inovação. Esse material compreende manuais, diretrizes e guias sobre P&D (Manual Frascati), indicadores de globalização, patentes, a sociedade da informação, recursos humanos em C&T (Manual Canberra) e estatísticas de biotecnologia.

Preparada com o patrocínio da OCDE e da Comissão Européia (Eurostat), esta terceira edição do Manual de Oslo é o resultado de um processo colaborativo de três anos que envolveu o Grupo de Trabalho de Especialistas Nacionais da OCDE em Indicadores de Ciência e Tecnologia (OECD Working Party of National Experts on Science and Technology Indicators – NESTI) e o Grupo de Trabalho do Eurostat em Estatísticas de Ciência e Tecnologia (Eurostat Working Party on Science, Technology and Innovation Statistics – WPSTI) assim como vários outros especialistas externos. Este Manual oferece diretrizes para a coleta e a interpretação de dados sobre inovação de maneira internacionalmente comparável. Chegar a um consenso significou algumas vezes assumir compromissos e concordar com convenções. Assim como outras diretrizes do tipo, há limitações conhecidas, mas cada edição do Manual de Oslo constitui um passo a mais em direção a nosso entendimento sobre o processo de inovação. Ainda que esse aprendizado contínuo e incremental incorpore as lições de estudos anteriores, o Manual é também uma ferramenta ambiciosa na qual experimentos e testes são usados para desafiar as fronteiras do que é entendido por inovação.

Muitas pessoas merecem um agradecimento pela valiosa contribuição. Um agradecimento especial é dedicado aos especialistas do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Países Baixos, Noruega e Reino Unido, que realizaram o trabalho em seis núcleos principais que examinaram uma grande variedade de tópicos e expressaram recomendações importantes para a revisão. A revisão do Manual de Oslo foi assumida por Peter Mortensen e Carter Bloch do Centro Dinamarquês para Estudos em Pesquisa e Políticas de Pesquisa, sob o comando da OCDE e do Eurostat. O anexo sobre pesquisas de inovação em países desenvolvidos foi realizado pelo Instituto para Estatísticas da UNESCO, baseado em uma proposta e um documento da Rede Iberoamericana de Indicadores de Ciência e Tecnologia (Red Iberoamericana de Indicadores de Ciencia y Tecnologia – RICYT) e seguiu um amplo processo de consulta a vários especialistas nacionais.

Nobuo Tanaka Diretor para Ciência, Tecnologia e Indústria, OCDE

Michel Glaude Diretor, Diretório F (Estatísticas Sociais e Sociedade da Informação), Eurostat

Fred Gault Presidente do NESTI; Diretor, Divisão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação Eletrônica, Estatísticas Canadá

Manual de Oslo Manual de Oslo

1Introdução

Aceita-se amplamente que a inovação seja central para o crescimento do produto e da produtividade. Entretanto, embora nosso entendimento sobre as atividades de inovação e de seu impacto econômico tenha aumentado muito desde a primeira edição do Manual, ele ainda é deficiente. Por exemplo, assim como a economia mundial evolui, o mesmo ocorre com o processo de inovação. A globalização conduziu empresas a crises dramáticas no que diz respeito ao acesso à informação e a novos mercados. Ela também resultou em maior competição internacional e em novas formas de organização para lidar com cadeias de fornecimento global. Devido a vantagens em tecnologias e maiores fluxos de informação, o conhecimento é cada vez mais percebido como um condutor central do crescimento econômico e da inovação. Porém, ainda não se sabe como tais fatores afetam a inovação.

Para o desenvolvimento de políticas de suporte apropriado à inovação, é necessário um melhor entendimento de vários aspectos críticos do processo de inovação, tais como as atividades de inovação que não estão incluídas na Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), as interações entre os atores e os fluxos relevantes de conhecimento. O desenvolvimento de políticas também exige a obtenção de melhores informações.

A primeira edição do Manual, publicada em 1992, e as pesquisas que a utilizaram, incluindo o Community Innovation Survey (CIS) organizado pela União

Européia (UE) e comparável às pesquisas da Austrália e do Canadá, mostraram que é possível desenvolver e coletar dados no complexo e diferenciado processo de inovação.

A segunda edição, de 1997, atualizou a estrutura dos conceitos, definições e metodologia para incorporar experiências de pesquisas e uma maior compreensão

OBJETIVOS E ESCOPO DO MANUAL 1

Manual de Oslo do processo de inovação, assim como para cobrir um conjunto maior de indústrias. A publicação aprimorou as diretrizes para desenvolver indicadores de inovação internacionalmente comparáveis para os países da OCDE e discutiu os problemas analíticos e de políticas para os quais os indicadores são relevantes.

As duas primeiras edições usaram a definição de inovação tecnológica de produto e de processo (TPP). Isso refletiu um foco em desenvolvimentos tecnológicos de novos produtos e de novas técnicas de produção pelas empresas e sua difusão para outras firmas. Uma discussão sobre inovação não-tecnológica foi incluída no anexo.

Desde 1992, o número de países que realizaram pesquisas sobre inovação cresceu muito: países da UE, outros países da OCDE como Canadá, Austrália, Nova

Zelândia e Japão, e um grande número de economias fora da OCDE, entre as quais vários países latino-americanos, Rússia e África do Sul.

Esta terceira edição do Manual conta com uma vasta quantidade de dados e com a experiência resultante dessas pesquisas. Ela expande a estrutura de mensuração da inovação em três importantes sentidos. Primeiro, há uma maior ênfase no papel das interações com outras empresas e instituições no processo de inovação. Além disso, a importância de inovação é reconhecida em indústrias menos intensivas em P&D, como os serviços e a indústria de transformação de baixa tecnologia. Esta edição modifica alguns aspectos da estrutura (tais como definições e atividades relevantes) para melhor acomodar o setor de serviços. Finalmente, a definição de inovação é expandida para incluir dois outros tipos de inovações: inovação organizacional e inovação de marketing. Outra novidade do Manual é um anexo sobre as pesquisas de inovação em países fora da OCDE e reflete o fato de que um número crescente desses países conduz atualmente pesquisas sobre inovação.

A avaliação das interações foi ampliada em virtude da importância dos fluxos de conhecimento entre as firmas e outras organizações para o desenvolvimento e a difusão de inovações. Isso ajuda a entender o papel das estruturas organizacionais e das práticas que promovem o compartilhamento e o uso do conhecimento e da interação com outras empresas e instituições públicas. Isso inclui também a formação de relacionamentos mais próximos com fornecedores e o avanço do desenvolvimento de práticas de marketing para melhor atingir os consumidores. As interações estão agora em um capítulo separado que cobre uma variedade de interações que vão das trocas entre unidades autônomas de informação ao envolvimento ativo em projetos de inovação conjuntos.

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