Adaptação hibernação

Adaptação hibernação

Hibernação

A hibernação é um estado letárgico pelo quais muitos animais endotérmicos, em grande maioria de pequeno porte, passam durante o inverno, principalmente em regiões temperadas e árticas. Os animais mergulham num estado de sonolência e inatividade, em que as funções vitais do organismo são reduzidas ao absolutamente necessário à sobrevivência.

A respiração quase cessa, o número de batimentos cardíacos diminui, o metabolismo, ou seja, todo o conjunto de processos bioquímicos que ocorrem no organismo, restringe-se ao mínimo. Pode-se dizer que qualquer animal que permanece inativo durante muitas semanas, com temperatura corporal inferior à normal, está em hibernação, embora as mudanças fisiológicas que acontecem durante o letargo sejam muito diferentes, de acordo com as diferentes espécies.

Letargia (do latimlethargia) é a perda temporária e completa da sensibilidade e do movimento por causa fisiológica, ainda não identificada, levando o indivíduo a um estado mórbido em que as funções vitais estão atenuadas de forma tal que parece estarem suspensas, dando ao corpo a aparência de morte.

Normalmente este fenômeno ocorre em regiões onde existe um inverno rigoroso e escassez de comida, mas existem algumas espécies que dormem na estação quente e seca, porque para elas as maiores ameaças são a alta temperatura e a falta de água. Este caso é conhecido como estivação. Muitos caracóis passam por este estado durante as estações quentes e secas, durante as quais há pouco alimento e a umidade é escassa.

Os animais que geralmente mergulham em letargo são os homeotermos ( erroneamente também chamados de animais de sangue quente). Existem homeotermos, como os ursos, que dormem durante o inverno, mas, como sua temperatura permanece pouco abaixo do normal, não se considera que tenham uma hibernação verdadeira, e sim uma estivação, que nada mais é do que uma hibernação, só que menos profunda, ou seja, o urso pode acordar se algo externo ocorrer.

Entre os mamíferos que hibernam verdadeiramente estão o musaranho e o ouriço que cavam sua toca no solo; os esquilos, a marmota, que abrigam-se nos ocos das árvores; o morcego que se acomoda em velhas casas, cavernas e túmulos. A única ave conhecida que hiberna é o noitibó-de-nuttall.

Nem sempre a mudança de temperatura é o estímulo para o letargo. Muitas vezes o estímulo é a falta de alimento, como ocorre com o Perognathus, pequeno roedor da América do Norte. Existem animais que, independente da temperatura e alimento, hibernam assim mesmo, motivados, provavelmente, por alterações que reduzem a atividade glandular. Experiências com o esquilo demonstraram que mesmo mantidos em ambiente aquecido e com fartura de comida, eles hibernaram de outubro a maio.

As fases de hibernação variam desde o simples adormecimento, como no caso dos ursos e do castor, até o letargo verdadeiro, que atinge algumas espécies de monotremados, quirópteros, insetívoros e roedores. Nestes animais, durante o letargo, registra-se um marcante declínio da temperatura corpórea – na marmota, por exemplo, pode descer a 4 ºC.

Este processo de hibernação desenvolve-se de formas diferentes e em várias etapas. Existem animais, como a marmota, que comem muitíssimo, acumulando reservas; outros, como os esquilos, armazenam alimentos na toca.

Durante a hibernação, os primeiros consomem a gordura armazenada; os outros acordam por curtos espaços de tempo para comer e evacuar. Durante o letargo profundo, a temperatura corpórea é apenas 1 ou 2 ºC superior à ambiental; o número de batimentos cardíacos varia de 3 a 15 por minuto (na marmota é de 3-4 por minuto comparativamente aos 90-130 batimentos normais); os movimentos respiratórios são de 2 a 5 por minuto, menos de um décimo do número normal; o consumo de oxigênio reduz-se à vigésima parte do norma e o metabolismo, à trigésima.

Para algumas espécies que vivem em clima quente e árido, os períodos de seca e calor excessivos podem ser tão terríveis quanto os invernos rigorosos. Para se defender, muitos animais entram em sono profundo ou sono estival. Este fenômeno ocorre com moluscos, artrópodes, peixes, répteis e mamíferos. Certos peixes pulmonados, como, por exemplo, a pirambóia, enterram-se na lama quando os rios em que vivem secam, abrigando-se ali até à chegada das chuvas.

A estivação, também conhecida como "a dormência", é um comportamento de certas espécies quando frente a determinadas adversidades ambientais. No que diz respeito aos moluscos pulmonados, resulta quase sempre de uma proteção contra o secamento temporário dos habitats, com a passagem para o estado de dormência ou quiescência sem perda da vitalidade.

O comportamento também é muito comum em anuros de regiões áridas, esses animais passam cerca de 9 a 10 meses do ano estivando, em estado de baixo metabolismo aguardando a época das chuvas em que eles podem se alimentar e reproduzir. Com o retorno de condições favoráveis, os indivíduos estivados são capazes de retornar as atividades normais.

A Dormência é um período no ciclo de vida de um organismo no qual o desenvolvimento é temporariamente suspenso. Ela minimiza o gasto energético, por reduzir a atividade metabólica, e pode auxiliar um organismo a conservar energia. Dormência está normalmente associada com as condições ambientais. Os organismos podem sincronizar a entrada em uma fase dormente com o seu ambiente por meios preditivos ou consequenciais.

Dormência preditiva

A dormência preditivaocorre quando um organismo entra em uma fase de dormência antes do estabelecimento das condições adversas. Por exemplo, fotoperíodo e baixa da temperatura são usadas por muitas plantas para prever a chegada do inverno.

Dormência consequencial

A dormência consequencialocorre quando o organismo entra em fase dormente após as condições adversas terem “chego”. Esta é normalmente observada em áreas de climas imprevisíveis. Seria de se esperar que alterações muito súbitas nas condições levem a uma alta mortalidade entre animais com dormência consequencial, porém seu uso pode ser vantajoso, uma vez que como os organismos se mantêm ativos mais tempo, estão aptos para maior uso dos recursos disponíveis.

Torpor

É um estado mental natural, causado por alguma doença ou induzido, que pode durar de poucas horas até meses. Torpor e hibernação são coisas diferentes. Algumas espécies de animais utilizam para poupar energia, mas é diferente do sono normal. Pode ser feito de várias maneiras: deixando diminuindo a temperatura corporal (hipotermia), diminuindo o ritmo cardíaco, a respiração e diminuição das funcionalidades de outras funções do corpo. É vital para algumas espécies realizarem o torpor para aguentar baixas temperaturas e guardar energias por longos períodos sem alimento, o que acontece normalmente no inverno. Também são modificadas funções biológicas, algumas espécies mudam o metabolismo para produzir amônia em vez de uréia que é mais tóxica. Algumas espécies entram em torpor no verão, que é o caso de animais aquáticos que vivem em regiões que ocorrem secas prolongadas, para sobreviver sem alimento e com baixa oxigenação.

Exemplo de animais que entram em torpor:

Morcego, beija-flor, marmota, tâmia (família dos esquilos ... roedores), dipnóicos (peixes pulmonados)

Outro fenômeno é o encistamento ou enquistamento, que consiste no enclausuramento do animal numa espécie de cápsula, denominada cisto, onde se mantém por um período de tempo variável e se manifesta apenas em animais inferiores, de dimensões muito reduzidas ou microscópicas, como os protozoários, os rotíferos (animais aquáticos microscópicos), os copépodos (grupo de crustáceos) e os tardígrados (pequenos animais segmentados relacionados com os Artrópodes).

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