apostilas sobre orquideas

apostilas sobre orquideas

(Parte 1 de 7)

João de Pádua Neves

João de Pádua Neves, reside em Divinópolis-MG, é economista e militar aposentado da Aeronáutica. Em dezembro de 1.993, adquiriu, em Campinas, o livro “Cultivando Bonsai no Brasil”, de Fábio Antakly Noronha, com o qual deu continuidade às poucas noções que tinha sobre esta arte milenar, iniciando o cultivo de Bonsai, comprando todas as revista e livros que encontrava sobre o assunto. No início do ano 2.0, tornou-se sócio da Ribeirão Preto Bonsai Kai. Paralelamente, cultivava orquídeas e associou-se a Associação Orquidófila de Divinópolis, em 1994, onde colaborou com a elaboração do Estatuto, participou ativamente na Secretaria, Tesouraria, Livro de Atas, Registro da Associação e transmitindo aos novos associados, por meio de cursos e apostilas, algumas dicas para o cultivo desta maravilha, criada por Deus, que é a Orquídea.

Fez parte da Diretoria, como vice-presidente (1.9 a 2.0) e Presidente do Conselho Fiscal (2.001 a 2.002). Apaixonado por miniaturas, teve a idéia de associar o cultivo de Bonsai com o de Orquídeas então, juntou o Bonsai (árvore pequena) com a Orquídea (micro orquídea). Há mais de 7 anos vem usando esta união de culturas e, anualmente, nas exposições de orquídeas, em Divinópolis, coloca alguns vasos de pré-Bonsai com micro orquídeas para divulgar as duas artes em uma só. O resultado foi ótimo. Diversas entrevistas em emissoras de TV e matéria para o jornal “Estado de Minas Gerais” (20.02.05), foram apresentadas. Participou em várias exposições em Divinópolis, Belo Horizonte, Itaúna, Oliveira, Formiga e Itapecerica, recebendo várias premiações.

Contato: JOÃO DE PÁDUA NEVES ORQUIDÓFILO E BONSAISTA TEL (37) 3221.2682 jopaneves@yahoo.com.br

As surpresas das orquídeas despertam a sensibilidade de pessoas das mais diferentes idades. Aprenda a iniciar o cultivo e manter saudáveis estas plantas. O pequeno e simples trabalho aqui apresentado é dirigido especialmente aos orquidófilos iniciantes. É uma forma prática de facilitar o êxito no cultivo das orquídeas das diferentes espécies e também híbridos. 1- A orquídea é uma flor composta de três sépalas, duas pétalas e um labelo. O labelo é uma pétala modificada e sempre mais bonito e colorido. 2- Orquidófilos são aqueles que cultivam e colecionam orquídeas.

Geralmente, são pessoas que gostam e cuidam de plantas. 3- A orquídea é vista pelo orquidófilo mais como um “objetivo vivo de coleção”, que propriamente apenas como uma flor. 4- Existem orquídeas de todas as formas e cores. Aos poucos, o principiante vai selecionando as plantas de sua preferência. 5- A orquídea, de um modo geral, é planta epífita, ou seja, vive sobre árvores ou outras plantas, sem causar-lhes mal algum porque não são parasitas. 6- Quem adquire uma orquídea deve cuidar dela o mais próximo possível de como ela vive ao natural. Portanto, plante-a de um modo que imite as próprias condições do seu habitat. 7- Em nosso meio, o modo mais comum de se plantar uma orquídea epífita é em xaxim desfibrado, adaptando-a a um vaso de barro. Ela também pode ser plantada em vaso de xaxim, vaso de plástico ou placa de xaxim, cachepô ou outros substratos, como piaçava, fibra de coco e casca de pinus. É importante não usar terra nas orquídeas epífitas. 8- Existem poucas orquídeas terrestres e algumas rupestres ou rupícolas, que vivem sobre pedras. Essas podem ser cultivadas em mistura de areia grossa e xaxim desfibrado, sempre com duas partes iguais de cada ingrediente. 9- É muito importante fazer uma drenagem perfeita no vaso em que será colocada uma orquídea. De preferência, os vasos devem ter pequenos orifícios na lateral e no fundo na parte interna.

Coloque uma camada de cacos de cerâmica, pedras tipo brita ou pedregulhos em até 1/3 ou 2/3. O excesso de xaxim conserva muita umidade e pode provocar podridão das raízes. 10- Lembre-se sempre do seguinte: as orquídeas morrem muita mais por excesso de umidade e sombra do que por alta de luminosidade e ambiente seco. 1- A adubação é um tema controvertido e só deve ser aplicado às orquídeas de acordo com cuidados especiais. Adubos orgânicos ou químicos precisam ser usados sob orientação de orquidófilos experientes. Convém lembrar que o aproveitamento do adubo é muito relativo. Não se deve esperar resultados espetaculares com esse ou aquele produto. A absorção pela orquídea é muito lenta e requer paciência por parte do cultivador. Lembre-se de que as orquídeas epífitas que vivem na galhada das arvores, não recebem nenhum adubo. Elas retiram do ar úmido e dos resíduos de poeira os ingredientes necessários. Vivem perfeitamente com a luminosidade filtrada do sol entre as folhas e o fator umidade vem das chuvas, das neblinas e do orvalho noturno, com a drenagem própria das condições de vida. 12- O combate às pragas, como insetos, caramujos, lesmas, e doenças, como fungos, vírus e bactérias, deve ser orientado por especialistas. Cuidado com os excessos, tanto para as plantas como para os cultivadores. Às vezes, é preferível limpeza com água e sabão ou com o corte da folha ou pseudo-bulbos atacados. 13- Nunca coloque o vaso em suporte com água. Faça poucas regas, cerca de uma ou duas por semana. As raízes das orquídeas preferem retirar a umidade do ar. 14- Um bom hábito para o orquidófilo é, nos dias quentes, molhar bastante o piso do orquidário sem atingir as plantas. A umidade que evapora do chão proporcionará equilíbrio para as plantas. 15- A produção de orquídeas é um pouco complicada e trabalhosa. É preferível comprar os exemplares desejado de comerciantes especializados. Os resultados são bem mais compensadores. 16- Cada espécie tem um nome em latim identificando uma época própria da floração, que se repete todos os anos. 17- Espécie é a unidade. O cruzamento entre elas resulta em planta da mesma espécie. Híbrido é o cruzamento de duas espécies diferentes, uma espécie com cruzamento de híbrido ou híbrido com cruzamento de híbrido. O nome completo do híbrido não é latino. 18- Cultivar orquídeas é contribuir para a conservação de uma das mais preciosas plantas que a natureza criou. É ter perto de si um ser encantado, que nos envolve, exigindo apenas um pouco de cuidado e que cada ano, nos presenteia com lindas e atraentes flores.

Lendas são lendas, nada além do imaginário popular, mas não há quem resista a elas. É o caso desta fábula que envolve o surgimento da ORQUÍDEA no mundo.

Era uma vez, na cidade de ANAM, uma jovem chamada HOAN-LAN.

Muito bonita, esta moça passava horas de seu dia esbanjando sua beleza para colher cada vez mais admiradores. A paixão que despertava nos rapazes era sempre grande e intensa, mas nenhuma delas foi maior que o amor que Hoan- Lan fez nascer no coração de KIEN-SU. Imaginem que, só para ver seu sorriso, ele cinzelou o ouro mais fino que existia para fazer uma linda jóia de jade. O trabalho mereceu paciência e dedicação, mas Hoan-Lan, vaidosa e insensível, depois de receber o presente, zombou de Kien-Su, não esboçando nem agradecimento e nem o sorriso esperado por ele.

Triste e ferido, o rapaz preferiu jogar-se em um rio existente em Anam, cujo nome era Rio Vermelho. Kien-Su, quem mais amou Hoan-Lan, foi o primeiro a perder a vida por amor a ela, mas a lista de corações partidos foi estendida por NZUYEN-BA, que penetrou selva adentro sem nunca mais voltar; por MA-DA que tomou veneno e por CUNZ-LIE que enlouqueceu de amor.

Acontece que um poderoso deus na natureza, decidiu castigar Hoan-

Lan por suas maldades, fazendo com que ela se apaixonasse perdidamente por MUN-SAY. Um rapaz muito bonito. Mun-Say, no entanto, sequer tomava conhecimento do sentimento de Hoan-Lan. Quando ela declarava seu amor, a resposta dele era sempre a mesma, afirmando que nada nela lhe despertava interesse. Outras vezes chegou a lhe dizer que sua figura não estava nem próxima da mulher ideal que queria para si. Hoan-Lan, louca de amor, foi procurar o deus da montanha em uma noite escura. Lá chegando, disse a ele que queria tirar o amor que a fazia sofrer tanto de seu coração, mas ele se recusou a ajuda-la, lembrando-lhe que igual atitude havia tido ela em relação aos rapazes que a amaram.

O deus a expulsou dali e Hoan-Lan, muito triste, foi embora pela noite escura. No meio do caminho, no entanto, encontrou uma feiticeira que lhe prometeu que, se a jovem lhe vendesse sua alma MUN-SAY nunca a amaria, mas também não seria de nenhuma outra moça. HOAN-LAN aceitou a proposta no mesmo instante e a feiticeira desapareceu. No dia seguinte, vestiuse de cor-de-rosa e foi visitar MUN-SAY. Correu ao seu encontro para abraçalo, certa de que ele não a repeliria. Qual não foi sua surpresa quando, de repente, ele se transformou em uma árvore!

Chorando e sem entender nada, HOAN-LAN viu aparecer diante de seus olhos a feiticeira, gargalhando e alegre pela maldade cometida. HOANLAN chorou tanto abraçada à árvore em sinal de pedido de perdão, que um gênio da floresta, compadecido, aproximou-se e lhe disse que sua dor a havia purificado. E num gesto rápido, transformou HOAN-lAN em uma flor, para que a feiticeira não a encontrasse quando viesse lhe buscar a alma. HOAN-LAN, ainda está lá, agarrada ao tronco da árvore. Seu vestido desbotou e tornou-se lilás. Seus braços ficaram finos e porosos. E sua boca ainda parece querer beijar o rosto do jovem MUN-SAY. É uma flor estranha e ao mesmo tempo bela. Forte e ao mesmo tempo frágil. Vivendo sempre agarrada ao grande amor de sua vida e compartilhando com ele sua sobrevivência. Virou uma ORQUÍDEA.

“Ao maior dos reis, leve um buquê de orquídeas.”

A frase acima teria sido dita no ano 900 e tanto antes de Cristo, por uma escrava BELKISS, a rainha de SABÁ ou SHEBA (atual YEMEN), preocupada em escolher um presente à altura de SALOMÃO, rei de ISRAEL. Ao que consta, BELKISS aceitou de imediato a sugestão da escrava, e conquistou o rei vizinho. Tanto que, até hoje, nas vilas ao norte do lago TANA, na ETIÓPIA, vivem cerca de 30 mil judeus chamados FALASHAS, que se dizem descendentes diretos de MENELIK, filho do rei SALOMÃO e da rainha de SABÁ.

Alguns anos depois, as orquídeas recebiam elogios também de

CONFÚCIO, sábio chinês nascido em 551 a.C., que não resistindo ao perfume de uma destas flores, deixou registrado em seus escritos: “ran exala perfume de reis”. É com o nome de ran ou também de lan, que as orquídeas aparecem na literatura do extremo ORIENTE. Por volta do ano 300, inclusive, um ministro chinês de nome KIHAN fez referências escritas a duas orquídeas que, pela descrição, parecem ser o CYMBIDIUM ensifolium e o DENDROBIUM moniliforme. Já no OCIDENTE, o interesse era meramente medicinal. Na Grécia, por exemplo, registros dão conta que, no tempo de PÉRICLES, um surto de cólera teria sido debelado com infusões de tubérculos da ORCHIS morio. TEOFRASTO, aluno de ARISTÓTELES, também falou das orquídeas em seus trabalhos. Foi ele, aliás, quem batizou o gênero ORCHIS - que em grego significa “testículos” – em alusão ao par de tubérculos das espécies que vegetavam às margens do MEDITERRÂNEO.

Tubérculos de orquídeas deste gênero e também do STYRIUM, digase a propósito, eram habitualmente cozidos pelos gregos e usados para fazer um caldo de nome SALEP, tido como poderoso afrodisíaco. A partir de 1450, quando GUTENBERG inventou os tipos móveis e imprimiu os primeiros livros, na EUROPA começaram a surgir publicações falando de orquídeas.

Mas foi só 300 anos depois, mais exatamente em 1795, que o KEW

GARDENS de LONDRES catalogou as primeiras 15 espécies. Um viveirista da INGLATERRA, de origem alemã, teve muito destaque nessa época. Seu nome era CONRAD LODDIGES e foi, ao que se sabe, o primeiro cultivador de orquídeas em escala comercial. Foi a ele que o naturalista JOHN LINDLEY, na época secretário da ROYAL HORTICULTURAL SOCIETY, dedicou a nossa linda CATTLEYA loddigesii, ainda hoje encontrada nativa nas cercanias de SÃO PAULO.

CONRAD LODDIGES teve o seu papel, mas não foi o único. Na realidade, desde o século XVII que a busca de plantas ornamentais havia virado uma espécie de febre na EUROPA. Financiados pela nobreza, grandes viveiristas ou instituições científicas, naturalistas e coletores vinham para a AMÉRICA para abarrotar com plantas exóticas os porões dos navios. Cerca de 90% das plantas, é verdade, morria no caminho. Porém, as que conseguiam ser salvas costumavam fazer um sucesso tremendo. Em 1817, por exemplo, quando o imperador FRANCISCO I da ÁUSTRIA e o rei D. JOÃO VI de

PORTUGAL acertaram o casamento de seus filhos, DONA LEOPOLDINA e DOM PEDRO, uma das primeiras providências foi despachar para o BRASIL o naturalista alemão CARL VON MARTIUS. Ele aqui esteve entre 1817 e 1820, e percorrem os estados de SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO, MINAS GERAIS, BAHIA, PERNAMBUCO, CEARÁ, PARÁ e AMAZONAS, numa longa expedição científica. Os resultados deram origem ao livro “VIAGEM PELO BRASIL”, e à monumental obra de 15 volumes e mais de 20 mil páginas chamada “FLORA BRASILIENSIS”.

Outros naturalistas europeus aqui também estiveram. Entre eles

REGNELI, REICCHEMBACK, SCHLECCHTER e PETER LUND, que até morou em LAGOA SANTA, MG, de 1825 a 1880. E ainda o coletor SELLOW, que morreu afogado no RIO DOCE, no mesmo estado, em 1831. São realmente um tanto sombrias as notícias daquela época. Devido ao despreparo e a ambição desmedida dos coletores de pl;antas, preocupados em tirar o maior proveito possível do preço excepcional que as orquídeas alcançavam na EUROPA, chegou-se ao absurdo de despachar, de uma única vez, do porto de RECIFE, 50.0 exemplares do ONCIDIUM marshallianum – que acabaram morrendo na longa viagem.

ORQUÍDEAS não são parasitas. São capazes de sintetizar substancias orgânicas com base em inorgânicas e, portanto, conseguem produzir o seu próprio alimento.

Como a maioria das plantas, as folhas das orquídeas contêm um pigmento verde chamado clorofila, essencial para a sua nutrição. Quimicamente, a clorofila é semelhante à hemoglobina, o pigmento vermelho encontrado no sangue. É este pigmento que, nas plantas, capta a energia do sol. Ao atrair as minúsculas partículas de luz chamadas fótons, uma parte da energia que absorvem é usada para “quebrar” as moléculas de água (H2O) presentes nos tecidos vegetais, separando o oxigênio (O) do hidrogênio (H). O oxigênio é então liberado na atmosfera, enquanto o hidrogênio reage com o dióxido de carbono (CO2) existente no ar, convertendo-se em açúcares e amidos, com os quais a orquídea supre uma boa parte das suas necessidades alimentares.

às vezes questionam: as flores são tão parecidasA amarilis e o lírio, por

Algumas pessoas, quando estão começando a mexer com jardinagem, exemplo, não são espécies de orquídeas? A resposta é não. O detalhe que mais caracteriza a flor da orquídea talvez seja a sua coluna, o conjunto formado pelos órgãos sexuais masculino e feminino. Enquanto nas outras plantas estes órgãos são completamente separados, nas orquídeas formam um conjunto único que recebe até um nome diferente: GINOSTÊMIO.

Além disso, a flor da orquídea tem três sépalas (as peças do cálice) bastante desenvolvidas, que se alternam com igual número de pétalas. São as sépalas que envolvem e protegem a flor em botão, mas, enquanto na maior parte das flores são de cor verde, nas orquídeas tornam-se tão coloridas quanto as pétalas. Uma das pétalas, aliás, é sempre muito diferente das outras duas e recebe o nome de labelo. É desse labelo, sempre mais forte e mais colorido, que exala o perfume destinado a atrair os insetos polinizadores.

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