cimento de ionomero de vidro

cimento de ionomero de vidro

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Revista de acesso livre no site w.dema.ufcg.edu.br/revista

Materiais odontológicos: Cimentos de ionômero de vidro A. C. B. M. Fook*; V. V. C. Azevedo; W. P. F. Barbosa; T. B. Fidéles; M.V.L. Fook

Unidade Acadêmica de Engenharia de Materiais – Universidade Federal de Campina Grande, Av. Aprígio Veloso , 882,

CEP 58109-970, Campina Grande – PB

(Recebido em 12/12/2007; revisado em 02/03/2008; aceito em 02/05/2008)

(Todas as informações contidas neste artigo são de responsabilidade dos autores) _

Resumo:

Os cimentos de ionômero de vidro (CIVs) têm se destacado cada vez mais como materiais restauradores de caráter definitivo, devido as suas propriedades biologicamente favoráveis e sua boa performance a longo prazo, ocupando um papel significante na odontologia preventiva, que busca cada vez mais por materiais restauradores com propriedades de liberação de flúor. A evolução sofrida pelos CIVs conduziram esses materiais a serem também reconhecidos como materiais biocompatíveis ampliando sua utilização na medicina. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão quanto aos principais conceitos ligados aos cimentos de ionômeros de vidro, bem como suas propriedades e aplicações clínicas.

Palavras-chave: Cimentos de ionômeros de vidro; materiais dentários; agentes cimentantes

_ Abstract:

The glass ionomer cements (GICs) have been detached increasingly as restoration materials of a definitive character, because their properties biologically favorable and their good performance in the long term, occupying a significant role in preventive dentistry, which seeks increasingly by restoration materials with properties of fluorine release. The evolution suffered by GICs led these materials to be also recognized as biocompatible materials expanding their use in medicine. The purpose of this study was to conduct a review on main concepts related to the glass ionomer cements, and its properties and clinical applications.

E-mail: carolinabrasil03@yahoo.com.br (A.C.B.M.Fook)

A.C.B.M.Fook et al / Revista Eletrônica de Materiais e Processos / ISSN 1809-8797 / v. 3.1 (2008) 40-45 41

1. Introdução

Um dos objetivos da odontologia restauradora é a preservação dos tecidos dentários sadios assim como a recomposição do tecido perdido buscando, através do emprego de materiais adequados e técnicas bem conduzidas, evitar recidivas ou mesmo aparecimento de novas cáries[1]. Dentre esses materiais, os que mais se destacam são os cimentos de ionômero de vidro (CIV)[2].

Os cimentos de ionômero de vidro (CIV) são materiais que consistem de partículas inorgânicas de vidro dispersas numa matriz insolúvel de hidrogel[3]. As partículas de vidro têm função de material de preenchimento e são fonte de cátions para formação de ligações cruzadas com as cadeias poliméricas[4].

Os ionômeros de vidro surgiram dos estudos pioneiros de Wilson & Kent no início da década de 70 (1971), e foram introduzidos no mercado em 1975, passando depois por sucessivas modificações, tais como a incorporação de resina para atender necessidades clínicas individuais, melhorando suas propriedades físicas, resistência e longevidade[5,6,7].

Os sistemas vítreos mais utilizados em

Odontologia como formadores de cimentos de ionômero de vidro são os baseados no sistema ternário SiO2 – Al2O3 – CaO2, e apresentam razão molar Al:Si igual ou superior a 1:2. A partir desse sistema originaram-se outros mais complexos e com melhores propriedades, pela inclusão de novos componentes, tais como óxidos de BaO ou SrO, modificadores ópticos, que conferem ao cimento um aspecto estético semelhante à estrutura dentária, e fluoreto de cálcio (CaF2) e pentóxido de fósforo

(P2O5), que promovem uma melhora nas propriedades como resistência mecânica e adesão

2. Classificação

Os cimentos de ionômeros de vidro podem ser classificados de acordo com as aplicações clínicas e composição química.

De acordo com as suas aplicações clínicas são classificados em: Tipo I, para cimentação ou fixação de restaurações rígidas. Tipo I, para restaurações diretas, estéticas e intermediarias ou reforçadas. Tipo I, para forramento ou base e selamentos de cicatrículas e fissuras[8, 9].

De acordo com a sua composição química, os

CIVs podem ser classificados como convencionais, reforçados por metais, alta viscosidade e modificados por resina[10,6].

Os cimentos convencionais são caracterizados pela reação química de um pó com uma solução aquosa de polímeros de homo e copolímero de ácido acrílico contendo ácido tartárico[1]. A composição química dos cimentos de ionômero de vidro está apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1. Composição química dos cimentos de ionômero de vidro convencionais.

Fonte: Vieira et al. 2006

Os elementos constituintes do pó são responsáveis pelas características de resistência, rigidez e liberação de flúor. O ácido tartárico é adicionado ao líquido com o intuito de aumentar o tempo de endurecimento do material, e o ácido itacônico é incorporado a fim de impedir ou retardar a reação química dos ácidos, quando armazenado[1].

2.2. Cimentos reforçados por metais

Alguns ionômeros convencionais podem ser reforçados pela incorporação de íons metálicos ao vidro – geralmente a prata, durante a etapa de manipulação, em que partículas de liga de amálgama ou partículas de liga são acrescentadas ao pó do ionômero em volume ou são sinterizadas a altas temperaturas e fundidas ao vidro durante o processo de fabricação do material[5; 9].

Visando melhorar a resistência final do cimento de ionômero de vidro, Simmons, em 1983, adicionou limalha para amálgama no cimento, o que fora chamado de “mistura milagrosa”. Porém, o escurecimento das margens das cavidades e a não significativa melhora em sua resistência, inviabilizaram o uso deste material. Em 1985, McLean e Gasser, incluíram partículas de prata ao pó do ionômero de vidro (cement), desenvolvendo um material radiopaco, o qual facilita o

Pó Líquido

Elementos (%) Elementos (%) CaF2 34,3 Água 45

SiO2 29 Ácido poliacrílico 30

Al2O3 16,6 Ácido tartárico 10

Mg, Na, etc. 20,1 Ácido itacônico 15

A.C.B.M.Fook et al / Revista Eletrônica de Materiais e Processos / ISSN 1809-8797 / v. 3.1 (2008) 40-45 42 acompanhamento radiográfico do preenchimento da cavidade com o material [1,12].

2.3. Cimentos de alta viscosidade

Os cimentos de alta viscosidade se caracterizam por conterem pó cujas partículas têm dimensões inferiores às dos ionômeros comerciais, e ainda por possuírem ácido liofilizado agregado ao pó. Como resultado esses materiais são mais densos que os ionômeros convencionais, e a dureza superficial também é maior[5].

2.4. Cimentos modificados por monômeros resinosos

O Ionômero de vidro modificado por resina é o nome dado àqueles materiais que consistem substancialmente de componentes de ionômero de vidro, isto é, ácido polimérico solúvel em água, vidro de íons lixiviáveis e água, junto com monômeros orgânicos polimerizáveis e seu sistema de iniciação associado[13].

O início da década de 90 marcou o começo de sua comercialização e seu diferencial foi a incorporação de monômeros resinosos no líquido, tais como resinas hidrofílicas (21-41% de hidroxietilmetacrilato-HEMA) e grupos metacrílicos; e no pó, fotoiniciadores que respondem a luz visível[8].

Este material teve uma melhora em sua qualidade passando seu sistema quimicamente ativado, que levava até 24 horas para obter uma completa geleificação, para fotopolimerizável que adquire dureza máxima imediatamente após a exposição a luz, existindo atualmente no mercado diversos tipos de CIV fotopolimerizáveis[14].

3. Reação de Presa

A reação de presa dos CIVs convencionais ocorre em 3 estágios: deslocamento de íons, formação da matriz de hidrogel e a fase de gel de polissais[6].

A fase de deslocamento de íons ocorre durante a aglutinação do pó e líquido, onde a fase aquosa dos ácidos umedece e dissolve a camada externa das partículas de vidro do pó inicialmente pelo ataque do íon hidrogênio às partículas de vidro, liberando os íons metálicos Al+++ e Ca++ que migram para a fase aquosa do cimento[9,1]. O cálcio reage com as cadeias aniônicas do poliácido, formando poliacrilato de cálcio, dando origem a uma matriz de gel. A porção mais externa das partículas de vidro reage com o ácido e se transforma em gel, e as porções não reagidas atuam como carga da matriz de gel de polissais. Com a formação dessa matriz, o cimento endurece. Mais lentamente o alumínio liberado vai reagindo, formando poliacrilato de alumínio, proporcionando a maturação da matriz[1].

A presa dos cimentos de ionômeros de vidro modificados por resina se dá por meio da reação ácido-base, característica dos cimentos convencionais e pela polimerização do monômero resinoso que se inicia por ativação pela luz. A reação de fotopolimerização determina a formação de uma matriz polimérica, a qual protege a reação ácido-base de uma possível contaminação inicial pela umidade[10].

4. Propriedades

O cimento de ionômero de vidro, quando inserido na estrutura dentária, tem a capacidade de se ligar quimicamente. Isso ocorre devido à ligação química entre os grupos carboxílicos dos poliácidos (COOH) e os íons cálcio existentes no esmalte, dentina e cimento. A união adesiva ao esmalte é superior que na dentina, em função de ser uma estrutura mais mineralizada [1,9].

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