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w.direitoria.net Representações da Superfície terrestre (Cartografia)

A Cartografia é, simultaneamente, arte, ciência e técnica de elaborar mapas. Nos tempos antigos e medievais eram mais uma obra de arte do que uma técnica. Ainda no século XVIII, o geógrafo alemão Gottfried Gregorii, afirmava: “ninguém pode ser um bom cartógrafo, se não for um bom pintor.”

Com a Revolução Científica e Tecnológica, que ocorreu no pós-guerra, os mapas e cartas geográficos tornaram-se mais precisos, facilitando muito a pesquisa de recursos naturais e o controle do espaço geográfico, através do uso conjunto de satélites artificiais, radares, e de computadores, permitindo a confecção até de imagens tridimensionais da superfície terrestre.

No dia 1 de fevereiro de 2000 foi lançado o ônibus espacial Endeavour da base de Cabo

Canaveral (Flórida- EUA). Duas antenas de radar em um mastro (de 60 metros, montado no espaço) e mais duas no compartimento de cargas mandarão e receberão sinais, promovendo a maior descrição topográfica do planeta até hoje feita em latitude, longitude e altitude (portanto tridimensional). Até 2001 os dados coletados (num total de 13.500 CDs) serão analisados e servirão como instrumento de estudo de mudanças atmosféricas, de vulcões, de terremotos e desmatamentos. O interessante a observar é que os mapas melhores (com resolução de 30 metros) não serão colocados à disposição do público, visto que a missão espacial é financiada pela Nima (Agência Nacional de Imagens e Mapeamento), por trás da qual está a Nasa (Agência Espacial Americana) e órgãos de inteligência e de defesa militar dos Estados Unidos. Teremos acesso, apenas, aos dados que estejam no domínio público: mapas com resolução de até 90 metros.

Os mapas serviram e ainda servem como instrumentos de poder. As Forças Armadas controlam as fronteiras, as movimentações de tropas, o seu abastecimento, as estratégias de combate – como ocorreu na Guerra do Golfo contra o Iraque e mesmo na Guerra de Kosovo contra a Sérvia. Os Estados controlam sua soberania territorial, os desmatamentos, queimadas, rotas comerciais; as cidades controlam o processo de expansão urbana e, através dele, de cobrança de impostos prediais.

A orientação através de mapas é vital em qualquer situação de mobilização de pessoas ou tropas - no ano de 1968, quando se deu a invasão de Praga (capital da Tchecoslováquia) pela tropas do Pacto de Varsóvia, os cidadãos tchecos quebraram as placas indicativas de ruas e praças, deixando aquelas tropas desorientadas. Sua importância estratégica é demonstrada pelo fato de que, uurante a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985, mapas detalhados das cidades de S. José dos Campos e Piquete (no Estado de S. Paulo) não foram divulgados, pois aí se localizavam fábricas de armamentos e de pólvora (em Piquete).

Em 1986, os Estados Unidos elaboraram uma pesquisa nos quartéis para verificar o grau de conhecimentos em geografia e cartografia entre os soldados; apresentando resultados negativos. Diante dessa evidência, o governo tomou medidas para que se melhorasse o ensino de Geografia nas escolas de ensino fundamental e médio no país.

O geógrafo Milton Santos diz que “pensar o mundo não é mais um privilégio europeu e a reelaboração do mapa do planeta é uma forma de libertação do colonialismo”. O geógrafo francês Yves Lacoste afirmava que interpretar os dados de um mapa era “saber agir sobre o terreno.”

Como o espaço geográfico é o resultado da dinâmica de ação do homem sobre a natureza, os mapas são importantes para a análise desse processo de ocupação e organização da natureza em função dos espaços da produção agrícola e industrial, da circulação de mercadorias, bem como das condições de tempo, que influem nesse processo.

Ao conjunto de técnicas e pesquisas em eletrônica, microondas (radar) e o tratamento da coleta das informações prestadas por tais pesquisas, denominamos de sensoreamento remoto. Estes sistemas são compostos a partir de plataformas espaciais, satélites, aviões, estações terrestres de rastreamento e coleta de dados, que são processados em computador. Mesmo com essa tecnologia de ponta, para que um mapa seja mais preciso, é necessário que o sensoreamento remoto seja complementado por pesquisas de campo, a fim de se coletar mais dados junto à superfície terrestre. Votaremos a isso no final do assunto.

B) Como ler e interpretar mapas

Como toda e qualquer abordagem interpretativa, a primeira atitude é a de ler o título para saber de que trata o conteúdo do mapa; depois reconhecer a legenda, geralmente na parte inferior esquerda ou direita, a fim de se inteirar das convenções e compreender o que se assinala no mapa.

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Para se ter uma idéia das distâncias e do tamanho real do que está sendo mapeado, se consulta a escala.

Hoje todos os mapas apresentam o norte em cima; o sul em baixo; o leste, à direita e o oeste, á esquerda. Nem sempre foi assim. Como exemplo, na Idade Média, além de serem mais uma obra de arte do que uma técnica, os mapas apresentavam o leste na parte de cima, pois o leste (ou oriente) é onde o Sol nasce e se encontra a salvação espiritual. Até o século XVI, época das Grandes Navegações Européias, os mapas-múndi colocavam nosso planeta com o sul para cima

C) Orientação Geográfica

Nos tempos antigos, os referenciais para orientação geográfica eram acidentes da natureza, as estrelas e, marcos urbanos (palácios, igrejas, praças, estátuas). Desde quando iniciou-se o processo de expansão burguesa mercantil européia pelos oceanos, iniciou-se o uso da bússola. No seu fundo está a rosa-dos-ventos, onde se mostram os pontos cardeais, colaterais e sub-colaterais.

Os pontos cardeais (principais) são o Norte (N) ou setentrião, Sul (S) ou meridional, leste (L) ou oriente – onde o Sol nasce, e oeste (O ou W) ou ocidente.

Os pontos cardeais baseiam-se no movimento aparente do Sol na Terra: ele sempre nasce a leste. Para nos orientarmos pelo Sol basta apontarmos o braço direito para o oriente; daí o esquerdo é o ocidente; à frente é o Norte; às costas, o Sul.

À noite, aqui no hemisfério sul da Terra podemos nos orientar pela Constelação do Cruzeiro do Sul – prolongamos o corpo da cruz 4 vezes e meia (a partir da estrela da ponta de baixo, chamada de Estrela de Magalhães) e, depois, tiramos uma vertical até a linha do horizonte: aí está o Sul. O resto se deduz. No hemisfério Norte, desde os tempos mais antigos, se orientava pela Estrela Polar (da Constelação da Ursa Menor), da qual se tirando uma vertical se aponta para o Pólo Norte.

A bússola é basicamente uma agulha imantada que, girando sobre um eixo central e vertical, aponta para o Pólo Sul magnético. Do núcleo interno da Terra partem ondas eletromagnéticas que se propagam externamente de um pólo ao outro do planeta.

Estuda-se em magnetismo que pólos iguais se repelem e contrários se atraem. Sendo assim, conclui-se que o Pólo Sul magnético atrai a ponta imantada da agulha da bússola (seu pólo norte) e vice-versa. O que chamamos de pólos geográficos são as extremidades do eixo terrestre e onde os meridianos se encontram. Entre um pólo geográfico e o pólo magnético há uma diferença em graus, chamada de declinação magnética. Assim entre o Pólo Norte geográfico e o Pólo Sul magnético, situado junto à Ilha Príncipe de Gales, no Canadá, a distância é de 4.0 km, correspondente à declinação magnética entre ambos. Os pilotos, antigamente, usavam tábuas de declinação para calcular a rota certa dos navios.

A tecnologia de ponta permite a orientação de maneira mais eficaz. As torres de comando dos aeroportos orientam as aterrissagens e subidas dos aviões através de rádio. Os aviões se guiam pelo radiogoniômetro, cuja intensidade, volume e direção de sinais indica a posição do avião. O radar emite ondas eletromagnéticas que vão e voltam e se projetam numa tela, permitindo a orientação do piloto. O método mais moderno é o sistema GPS IPS 360 Pyxis, aparelho que capta sinais de satélites e calcula automaticamente as coordenadas geográficas (em graus, minutos e segundos) e a altitude do avião ou navio.

c) Coordenadas Geográficas

Os círculos imaginários que envolvem a Terra são os paralelos e os meridianos. As coordenadas geográficas representam a rede de paralelos e meridianos, cuja intersecção serve para se localizar qualquer ponto sobre a superfície terrestre. Todos os paralelos cortam perpendicularmente o eixo terrestre; enquanto os meridianos se cruzam nos extremos (ou pólos) do eixo terrestre. Este último não deve ser confundido com aqueles meridianos – o eixo é uma linha diametral imaginária que passa pelo centro da Terra; os meridianos são semicírculos que vão de um pólo ao outro.

Como a Terra é redonda, criaram-se referenciais de partida para a latitude e a longitude. Para se determinar a latitude, o referencial é o paralelo 0o, o Equador; da longitude é o Meridiano Principal ou de Greenwich.

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O Equador é o único paralelo que serve de referencial da latitude, pois é o único que corta a

Terra num plano diametral, dividindo-a, portanto, em dois hemisférios, o Norte e o Sul. A latitude é a distância em graus que vai de um ponto qualquer da Terra ao Equador; é medida de 0o (Equador) a 90o (Pólos Norte e Sul geográficos). As latitudes são consideradas baixas quando se localizam entre 0 e 30o; médias latitudes, até aproximadamente 50o; altas latitudes, de 50o a 90º. Elas são medidas sobre arcos de meridianos.

A longitude é a distância em graus de qualquer ponto da Terra ao Meridiano de Greenwich. É medida sobre os arcos de paralelos e se estendem a leste ou oeste de 0o (Greenwich) a 180º. Como todos os meridianos se cruzam nos pólos, apresentam a mesma extensão de 40.036 km e cortam a Terra num plano diametral. Sendo assim, qualquer um deles poderia ser o referencial 0o para a contagem inicial da longitude.

A cidade de Londres era a capital do Império colonial maior do século passado, o Império

que provável que colocassem a cidade de Nova Iorque como o referencialVeja uma figura aí

Britânico. Em 1895, nesta capital, realizou-se o Congresso Internacional de Cartografia, e se convencionou o meridiano que passa em Greenwich (onde havia um observatório astronômico), subúrbio de Londres, como o referencial 0o de longitude. Se fosse após a I Guerra Mundial era mais embaixo.

D) Fusos Horários

Ao movimento completo da Terra em torno do seu eixo imaginário chamamos de rotação, da qual resultam os dias e as noites, durando 23 horas e 56 minutos, ou 24 horas. Este movimento de rotação é feito no sentido oeste-leste (anti-horário). Enquanto isto, o Sol descreve aparentemente um movimento na Terra no sentido contrário, de leste para oeste.

A partir desses movimentos em sentidos antagônicos, conclui-se que o hemisfério leste está sempre mais adiantado em horas que o hemisfério oeste. Se viajarmos de um ponto qualquer para leste, aumentamos a hora; se for no sentido oeste, diminuímos a hora.

Quando o Sol passa exatamente em cima de um meridiano é exatamente meio-dia naquele ponto situado sobre aquele meridiano. É por isto que os países de língua inglesa colocam os sufixos a. m. (ante-meridien – de manhã) e p.m. (post-meridien – à tarde).

Seria confuso, no entanto, se cada cidade (ou ponto sobre a Terra) usasse essa hora astronômica – haveria n horas diferentes. É preciso, pois, criar uma convenção internacional determinando uma hora mundial, um referencial planetário. Com este objetivo se criaram os fusos horários, tendo como ponto de partida o GMT (Greenwich Meridien Time), ou seja, a hora de Londres, firmado no século passado.

Sabemos que toda e qualquer circunferência tem 360º. Como o movimento de rotação da

Terra é realizado em 24 horas, divide-se 360 por 24 e chega-se a 15º. Este espaço de 15o é o fuso horário, onde ocorre a hora legal tanto ao norte como ao sul do Equador.

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O Brasil tem 3 fusos horários. a) O de Brasília, com 3 horas menos que Londres, e que abrange todos os Estados litorâneos, além de Goiás, Tocantins e Brasília. b) Os Estados de Mato Grosso, M. Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, quase todo o Amazonas, e metade do Pará (a oeste do rio Xingu) estão a 4 fusos horários menos que Londres. c) Apenas o Acre e o sudoeste do Estado do Amazonas estão a 5 fusos horários menos que GMT.

Quando se calcular a diferença a menos de horas do Brasil em relação ao GMT devemos levar em conta os fusos horários, como também o horário de verão aqui e na Europa.

Do lado contrário do Meridiano de Greenwich, no Oceano Pacífico, criou-se o Antimeridiano de Greenwich ou Linha Internacional de Mudança de Data, a 180º. Se formos daqui do Rio de Janeiro para Tóquio, ultrapassamos a LID e, assim, além de mudar as horas, temos que aumentar 1 (um) dia; ao retornarmos, diminui-se 1 dia. Revisando: ultrapassando a LID de oeste para leste aumentamos 1 dia; de leste para oeste, diminuímos 1 dia.

Uma observação importante e prática: em todo e qualquer exercício de fusos horários é necessário que se dê a localização geográfica em longitude das cidades e se memorize aquela questão prática: ao caminharmos para o oriente aumentamos a hora; para o ocidente, diminuímos a hora. Exemplificando: a cidade do Rio está a aproximadamente 45o de longitude oeste de Greenwich e são 10 horas da manhã; determine a hora no Cairo (a 30o de longitude L Gr.) e em Los Angeles (120o long. W Gr.).

E) Sistemas de Representação Cartográfica a) Tipos de Mapas.

população, de solos, dos mares,)

Quanto à escala os mapas podem ser: plantas (ou cartas cadastrais), cartas ou mapas topográficos, e os mapas geográficos. Quanto aos seus objetivos, os mapas podem ser: gerais (para divulgação a pessoas comuns como os mapas-múndi, os continentes, que se usam em sala-de-aula), e temáticos (mostram certas características específicas da realidade geográfica, como os estudos de b) Escala

(1.0.0 de cm, ou seja 10 km)para tal conversão é preciso saber um pouco converter cm em

É a relação matemática entre o comprimento ou distância figurada no mapa e a superfície real da superfície representada. Há duas modalidades de escala: a numérica e a gráfica. A escala numérica se representa por uma fração ordinária (como 1/1.0.0) ou de uma razão matemática (1:1.0.0). O número 1 significa a unidade no mapa (1 cm) e o número 1.0.0 o tamanho real metro e este em km.

Quanto menor for o segundo número, no caso o denominador da fração ordinária, maior será a escala; e vice-versa. Assim as escalas inferiores a 100.0 são consideradas grandes; quanto superiores a 500.0, são pequenas.

Quanto maior a escala mais detalhada é a carta geográfica. Assim, as plantas (ou cartas cadastrais) se fazem com escalas entre 1/500 e 1/20.0. Os mapas topográficos têm escalas entre 1/25.0 e 1/250.0, que são escalas médias; estes mapas são conceituados como de informação oficial. O governo brasileiro, através do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da Diretoria do Serviço Geográfico do Exército, além dos institutos cartográficos estaduais, adotam esse tipo de mapa, o topográfico.

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